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A Espanha controlava Yap desde 1885 e vendeu as ilhas à Alemanha em 1899. A administração alemã quis abrir estradas na ilha e mandou os chefes das aldeias consertarem os caminhos. Os chefes não obedeceram.
Furness descreve a saída que os alemães encontraram. Multar em dinheiro não adiantava, porque os moradores não usavam marco alemão. Então os fiscais passaram pelas aldeias pintando uma cruz preta nas rai, como sinal de que aquelas pedras agora pertenciam ao governo.
A tinta bastou. Os moradores se sentiram empobrecidos de um dia para o outro, mesmo com as pedras no mesmo lugar, e os caminhos foram consertados em pouco tempo, segundo o relato de Furness.
Depois da obra, os fiscais voltaram e apagaram as cruzes. As famílias recuperaram a riqueza, e a ilha comemorou. Nenhuma pedra tinha saído do lugar em nenhum momento da história.
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O governo alemão tirou e devolveu a riqueza de Yap só com tinta, sem mover uma única pedra.
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O economista e a pedra
Em 1991, o economista americano Milton Friedman, prêmio Nobel de 1976, publicou um artigo chamado The Island of Stone Money, pela Hoover Institution, da Universidade Stanford. Usou o relato de Furness para explicar como funciona o dinheiro moderno.
Friedman comparou Yap a um episódio de 1932 e 1933. O Banco da França pediu ao Banco Central americano que convertesse em ouro os dólares que a França guardava. O ouro não atravessou o Atlântico: funcionários mudaram as barras de gaveta num cofre de Nova York e marcaram que eram francesas.
A imprensa americana tratou a mudança como uma perda grave de ouro dos Estados Unidos, e a francesa, como um ganho. Nenhuma barra tinha saído de Manhattan. Para Friedman, era o mesmo raciocínio dos moradores de Yap diante da pedra no fundo do mar.
Yap hoje
As rai continuam em Yap. O dia a dia corre em dólar americano, a moeda oficial dos Estados Federados da Micronésia, mas as pedras ainda trocam de dono em casamentos, heranças, acordos de terra e pedidos de desculpa entre famílias.
O governo do estado proíbe levar as pedras para fora da ilha. Elas seguem nos mesmos caminhos e praças, com a posse contada pelos mais velhos, e as pedras de O'Keefe continuam valendo menos que as antigas.
Se for contar a alguém, três passos:
1. Comece pela distância: 400 quilômetros de mar entre Yap e as pedreiras de Palau, cruzados em canoa.
2. Mostre o sistema: a pedra fica parada, e quem muda é o nome do dono, guardado na memória da ilha.
3. Termine no fundo do mar: a pedra afundada no transporte seguiu valendo para a família dona por gerações.
Em Yap, a pedra mais rica da aldeia nunca foi vista por ninguém vivo, e a ilha inteira sabia de quem ela era.
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