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A lava do Paricutín cobriu dois povoados. O primeiro foi o próprio Paricutín, onde morava Dionisio Pulido, tomado pela lava e pela cinza ainda no primeiro ano; as famílias saíram antes e foram reassentadas em Caltzontzin, um povoado novo perto da cidade de Uruapan.
Pulido nunca voltou a plantar no próprio terreno: o milharal onde a fenda abriu ficou debaixo do cone. Os registros da época seguiram o vulcão e quase não seguiram o lavrador, e da vida dele depois da erupção sobraram poucas linhas.
O segundo foi San Juan Parangaricutiro, sede do município e o maior povoado perto do vulcão. Em 1944, uma língua de lava vinda da base do cone chegou às ruas e foi cobrindo casas e praça durante semanas.
A lava andou tão devagar que deu tempo de esvaziar a cidade. Antes de partir, os moradores tiraram da igreja a imagem do Señor de los Milagros (Senhor dos Milagres), um Cristo venerado na região havia gerações, e a levaram em procissão até a terra nova.
A terra nova virou Nuevo San Juan Parangaricutiro, fundada em 1944 perto de Uruapan. A imagem está lá até hoje, num santuário que recebe romeiros o ano inteiro.
A torre que ficou
Da cidade antiga, a lava deixou de fora a torre do sino e parte da fachada da igreja. A pedra derretida entrou pela porta, encheu a nave (o salão central, onde ficam os bancos) e endureceu quase na altura do telhado.
Nos fundos, o altar escapou. A lava parou a poucos metros dele, e quem cruza o malpaís até a igreja ainda encontra flores e velas deixadas ali pelos fiéis.
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De San Juan Parangaricutiro sobraram a torre, um pedaço da fachada e o altar; o Cristo da igreja saiu antes, nos braços dos moradores.
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O vulcão quieto
O Paricutín parou em 1952. A lava deixou de brotar da base, as explosões do topo cessaram, e o cone ficou como está, com a borda da cratera a cerca de 2.800 metros acima do nível do mar.
O pintor Gerardo Murillo, que assinava Dr. Atl, morou numa cabana perto do cone, pintou o vulcão por anos e lançou em 1950 o livro “Cómo nace y crece un volcán: el Paricutín” (Como nasce e cresce um vulcão: o Paricutín).
Se for contar a alguém, três passos:
1. Comece pela fenda: Dionisio Pulido viu o chão do milharal rachar às quatro da tarde de 20 de fevereiro de 1943.
2. Explique o cone: as pedras que a boca cuspia caíam em volta dela, e em 24 horas o monte tinha 50 metros.
3. Termine na torre: de San Juan Parangaricutiro, a lava deixou de fora a torre e o altar da igreja.
Ninguém consegue apontar onde nem quando o próximo cone do campo vai furar o chão. O magma escolhe a fresta lá embaixo, e o aviso, quando vem, chega como chegou ao planalto de Pulido: semanas de tremor e de ronco debaixo da terra.
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