In partnership with

Curiosidade do Dia   Curiosidade do Dia
ED 092
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

A edição de hoje foi escolhida pela maioria dos leitores na votação de ontem.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Paricutín subiu 424 metros num milharal

Em 20 de fevereiro de 1943, Dionisio Pulido viu o chão do próprio milharal rachar em Michoacán, e da fenda saíram fumaça e cheiro de enxofre.

Cone escuro do vulcão Paricutín, nascido em 1943 num milharal de Michoacán, no México, sobre um campo de lava endurecida.

O vulcão Paricutín, em Michoacán, no México

▼
 

424 metros. Foi quanto o vulcão Paricutín cresceu entre 1943 e 1952 acima de um milharal de Michoacán, no oeste do México, num planalto de pinheiros a uns 320 quilômetros da Cidade do México.

Quem chega hoje pela estrada de Angahuan, vila purépecha (do povo indígena da região, também chamado tarasco), vê primeiro o cone: um morro escuro, de encosta lisa e topo cortado reto, quase sem árvore.

Entre a vila e o vulcão se estende o malpaís (o campo de lava endurecida, no espanhol local), uma planície de pedra preta e áspera, quebrada em blocos do tamanho de um carro. Nada ali lembra terra de plantar.

Sobre essa pedra aparece uma única construção feita por gente: a torre de uma igreja, de pedra clara, com a lava encostada na fachada. Do povoado que existia em volta dela não sobrou telhado, rua nem quintal. Os visitantes chegam até ela a pé ou a cavalo, guiados por moradores de Angahuan, por trilhas abertas entre os blocos de pedra.

Em 1942, o planalto era outro. Havia milho e feijão nas encostas, pinheiros riscados para tirar resina, casas de madeira com telhado de tábua e caminhos de terra ligando um povoado a outro. As famílias viviam de roça pequena, de gado e de lenha.

O vulcão foi batizado como o povoado mais próximo, Paricutín, de onde os lavradores daquele pedaço de planalto saíam toda manhã para a roça. Ninguém ali tinha visto uma montanha nascer.

Nas semanas antes da erupção, o chão deu sinais. Os moradores sentiam tremores quase todo dia e ouviam um ronco vindo de baixo da terra, parecido com trovão em céu limpo. Fevereiro era mês de preparar a terra para o milho, e a lavoura seguiu.

O morro inteiro começou como uma fenda rasa num terreno de milho. O bloco seguinte volta àquela tarde de sábado, quando um lavrador, a mulher e o filho viram o chão rachar e soltar fumaça.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Nobody's coming to approve your idea

People assume that real businesses get built by other people with more resources. It's how great ideas get stuck in notes apps and conversations.

But you don't need six months and a developer's salary to validate your concept. You just need a weekend. Describe what you want to exist and Lovable builds it: a real site, a real product, ready to accept real payments from real customers. Not a mockup to show people. An actual thing they can use.

You don't need anyone's sign-off to get started. Take $5 off your first month.

Discount of $5 applies to first month of any paid plan. You need to sign up via this webpage in order to claim the discount. The discount applies to new and returning users without an active paid plan. Terms apply.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A Curiosidade do Dia

A fenda no milharal

O vulcão Paricutín nasceu no sábado 20 de fevereiro de 1943, perto das quatro da tarde, num milharal de Dionisio Pulido, lavrador purépecha do povoado de Paricutín. Naquela tarde, ele limpava o terreno para o plantio com a mulher, Paula, e o filho.

Pulido tinha acabado de pôr fogo numa pilha de galhos quando reparou numa fenda aberta num ponto alto do terreno, com meio metro de fundo. Voltou a mexer no fogo e sentiu um estrondo de trovão; as árvores em volta tremeram.

“Foi então que vi como, no buraco, a terra inchava e se levantava uns dois metros, dois metros e meio, e uma espécie de fumaça ou pó fino, cinzento como a cinza, começou a subir”, contou Dionisio Pulido no relato reproduzido no livro “Parícutin: The Volcano Born in a Mexican Cornfield” (Parícutin: o vulcão nascido num milharal mexicano), organizado por James Luhr e Tom Simkin em 1993.

Logo saiu mais fumaça, com um assobio alto e contínuo, e o ar ganhou cheiro de enxofre, parecido com o de ovo podre. A família largou a lavoura e correu para o povoado.

Um morro de pedra solta

À noite, a fenda já atirava para o alto pedras em brasa, com estrondos ouvidos nos povoados vizinhos. As pedras subiam, esfriavam no ar e caíam em volta da boca, e o monte começou a crescer com o que o próprio buraco cuspia.

Os geólogos chamam a forma de cone de escória (um morro feito desses pedaços de lava que endurecem no voo e se empilham em volta da boca). Em 24 horas, o monte do milharal de Pulido já tinha uns 50 metros de altura.

Em uma semana, o cone passava dos 100 metros. No primeiro aniversário da erupção, tinha mais de 300, e o topo seguia lançando pedra e cinza quase sem pausa.

O Paricutín cresceu à vista de quem morava ali: em 24 horas, uma fenda de meio metro num milharal virou um cone de 50 metros.

A lava saía pelos pés

A lava, a rocha derretida, quase nunca descia pelo topo. Ela brotava de bocas abertas na base do cone e avançava devagar, em línguas grossas cobertas de blocos que estalavam e rolavam na frente.

O estrago maior veio da cinza. Ela cobriu telhados, quebrou galhos de pinheiro e enterrou as roças em volta; o gado que pastava capim coberto de pó adoecia, e muitas famílias venderam os animais pelo preço que conseguiram.

Ninguém foi alcançado pela lava, que andava devagar o bastante para dar tempo de fugir. As três mortes ligadas à erupção vieram de raios, formados dentro das nuvens de cinza que subiam do cone.

 
 

II  A História Por Trás

O vale dos cones

O Paricutín nasceu ali porque o oeste de Michoacán fica sobre a Faixa Vulcânica Transmexicana, uma fileira de vulcões que corta o México de lado a lado, do Pacífico ao Golfo do México, e inclui o Popocatépetl e o Pico de Orizaba.

A causa está no fundo do oceano. A placa de Cocos, um dos blocos de rocha que formam a casca da Terra, mergulha sob a placa que carrega o continente. Ao descer, ela solta água no manto (a camada quente de rocha abaixo da casca), parte do manto derrete, e o magma, a rocha derretida subterrânea, sobe procurando frestas.

Vulcões de uma erupção só

No planalto do Paricutín, o magma não abastece uma montanha grande. Ele fura a casca da Terra em pontos diferentes, e cada furo vira um cone pequeno. O campo vulcânico Michoacán-Guanajuato, que vai do oeste de Michoacán ao sul de Guanajuato, tem centenas desses morros, a maioria tão antiga que já virou mato e roça.

Os geólogos chamam esses cones de monogenéticos (os que nascem, passam por um único período de erupção e se apagam). A atividade pode durar semanas ou anos, mas, depois que para, aquele cone não volta a acordar.

No campo de Michoacán, cada vulcão tem uma erupção só, e o Paricutín, o mais novo deles, não vai acordar de novo.

O precedente de 1759

O Paricutín foi o segundo cone do campo a nascer diante de testemunhas com registro escrito. O primeiro foi o Jorullo, que surgiu em 1759 nas terras de uma hacienda (fazenda, em espanhol) mais ao sul, também em Michoacán, e só se calou em 1774.

O naturalista alemão Alexander von Humboldt subiu o Jorullo em 1803, quase 30 anos depois de a erupção parar, e só pôde estudar o que tinha sobrado: o cone já quieto e o campo de lava em volta.

Com o Paricutín, a ciência chegou a tempo. O geólogo mexicano Ezequiel Ordóñez foi ao milharal nos primeiros dias e acompanhou a erupção por anos, e equipes do USGS, o serviço geológico do governo americano, montaram postos de observação perto do cone.

O relatório “Birth and Development of Parícutin Volcano, Mexico” (Nascimento e desenvolvimento do vulcão Parícutin, no México), de William Foshag e Jenaro González Reyna, saiu pelo USGS em 1956 e descreve em detalhe os primeiros meses do cone.

O Paricutín virou o primeiro vulcão estudado pela ciência moderna do nascimento até a última erupção, e serve de modelo para entender os outros cones do campo.

 

Quem banca a edição de hoje

Tired of news that feels like noise?

Every day, 4.5 million readers turn to 1440 for their factual news fix. We sift through 100+ sources to bring you a complete summary of politics, global events, business, and culture — all in a brief 5-minute email. No spin. No slant. Just clarity.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Resto da História

A torre acima da lava

A lava do Paricutín cobriu dois povoados. O primeiro foi o próprio Paricutín, onde morava Dionisio Pulido, tomado pela lava e pela cinza ainda no primeiro ano; as famílias saíram antes e foram reassentadas em Caltzontzin, um povoado novo perto da cidade de Uruapan.

Pulido nunca voltou a plantar no próprio terreno: o milharal onde a fenda abriu ficou debaixo do cone. Os registros da época seguiram o vulcão e quase não seguiram o lavrador, e da vida dele depois da erupção sobraram poucas linhas.

O segundo foi San Juan Parangaricutiro, sede do município e o maior povoado perto do vulcão. Em 1944, uma língua de lava vinda da base do cone chegou às ruas e foi cobrindo casas e praça durante semanas.

A lava andou tão devagar que deu tempo de esvaziar a cidade. Antes de partir, os moradores tiraram da igreja a imagem do Señor de los Milagros (Senhor dos Milagres), um Cristo venerado na região havia gerações, e a levaram em procissão até a terra nova.

A terra nova virou Nuevo San Juan Parangaricutiro, fundada em 1944 perto de Uruapan. A imagem está lá até hoje, num santuário que recebe romeiros o ano inteiro.

A torre que ficou

Da cidade antiga, a lava deixou de fora a torre do sino e parte da fachada da igreja. A pedra derretida entrou pela porta, encheu a nave (o salão central, onde ficam os bancos) e endureceu quase na altura do telhado.

Nos fundos, o altar escapou. A lava parou a poucos metros dele, e quem cruza o malpaís até a igreja ainda encontra flores e velas deixadas ali pelos fiéis.

De San Juan Parangaricutiro sobraram a torre, um pedaço da fachada e o altar; o Cristo da igreja saiu antes, nos braços dos moradores.

O vulcão quieto

O Paricutín parou em 1952. A lava deixou de brotar da base, as explosões do topo cessaram, e o cone ficou como está, com a borda da cratera a cerca de 2.800 metros acima do nível do mar.

O pintor Gerardo Murillo, que assinava Dr. Atl, morou numa cabana perto do cone, pintou o vulcão por anos e lançou em 1950 o livro “Cómo nace y crece un volcán: el Paricutín” (Como nasce e cresce um vulcão: o Paricutín).

Se for contar a alguém, três passos:

1. Comece pela fenda: Dionisio Pulido viu o chão do milharal rachar às quatro da tarde de 20 de fevereiro de 1943.

2. Explique o cone: as pedras que a boca cuspia caíam em volta dela, e em 24 horas o monte tinha 50 metros.

3. Termine na torre: de San Juan Parangaricutiro, a lava deixou de fora a torre e o altar da igreja.

Ninguém consegue apontar onde nem quando o próximo cone do campo vai furar o chão. O magma escolhe a fresta lá embaixo, e o aviso, quando vem, chega como chegou ao planalto de Pulido: semanas de tremor e de ronco debaixo da terra.

 
 
 

Quiz da edição

No dia em que nasceu, o cone do Paricutín cresceu até qual altura em apenas 24 horas?

A300 metros
B424 metros
C50 metros
D100 metros

Veja o ranking de quem mais acerta →

 

Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🔑🔑🔑🔑🔑  ótima 🔑🔑🔑🔑  boa 🔑🔑🔑  ok 🔑🔑  ruim 🔑  péssima
 

Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 06/11, 23h

A Poço Superprofundo de Kola →
B Estádio Zerão →
C Ponte Choluteca →
D Sheep View 360 →
 

Recomendação de Newsletter

Ciência Bizarra

Ciência Bizarra

Todo dia, 20:20. Um fenômeno verificado que desafia o senso comum, com a fonte na mesa. Espanto com paper, não com clique.

Quero receber →

 

Sua ofensiva

🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Amanhã tem outra.

Curiosidade do Dia

CURIOSIDADE DO DIA

Uma curiosidade por dia

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter