In partnership with

Curiosidade do Dia   Curiosidade do Dia
ED 048
{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Os 47 mil troncos que são uma árvore só

No planalto de Fishlake, em Utah, 43 hectares de álamos dividem a mesma raiz e o mesmo genoma, num conjunto que pesa perto de 6.000 toneladas.

Bosque de álamos de troncos brancos e folhagem amarela no planalto de Fishlake, em Utah, visto da encosta.

Álamos de Pando no planalto de Fishlake

▼
 

47 mil troncos. É quanto um único ser vivo mantém de pé no planalto de Fishlake, no centro-sul do estado de Utah, nos Estados Unidos. Quem chega pela estrada estadual 25 vê uma mata de álamos comum, troncos brancos de casca lisa, folhas redondas que tremem com qualquer brisa. Embaixo do chão, cada um desses troncos sai da mesma raiz.

O bosque se chama Pando e ocupa cerca de 43 hectares, área equivalente a uns sessenta campos de futebol. A biologia trata o conjunto inteiro como um indivíduo só, porque todos os troncos carregam o mesmo material genético e continuam ligados por um sistema de raízes contínuo que brota novos caules de dentro da terra.

O peso estimado é a parte que costuma travar a conversa. O botânico Michael C. Grant, da Universidade do Colorado, calculou em artigo de 1992 na revista Discover que a massa total do organismo chega perto de 6.000 toneladas, número que fez de Pando o candidato mais citado a ser vivo mais pesado já medido no planeta.

A aparência engana porque o álamo-tremedor, espécie de nome científico Populus tremuloides, quase não se reproduz por semente nas montanhas secas do oeste americano. Ele se espalha por brotação de raiz: um caule novo nasce da raiz do caule velho, alguns metros adiante, e assim por diante durante milênios.

O efeito visual disso aparece duas vezes por ano. Na primavera, a folhagem do bosque inteiro abre no mesmo intervalo de dias, enquanto os álamos vizinhos, de outros clones, abrem em ritmos diferentes. No outono, a mancha amarela de Pando muda de cor em bloco, desenhando o contorno do organismo na encosta para quem olha de longe.

A seção a seguir mostra como um bosque vira um indivíduo aos olhos da botânica: o que exatamente é compartilhado debaixo da terra, por que os troncos são todos do mesmo sexo e o que a genética conseguiu confirmar em 2024.

Continue lendo ↓

 
 

I  A Curiosidade do Dia

Uma raiz só debaixo de 43 hectares

O que define um indivíduo em botânica não é o tronco. Um bosque de álamos como o de Fishlake é o que os biólogos chamam de clone, um conjunto de troncos geneticamente idênticos que compartilham o mesmo sistema de raízes; cada tronco visível recebe o nome técnico de ramete, o caule individual, e o organismo inteiro é chamado de genete.

A conta de 47 mil troncos vem do trabalho de campo publicado em 2018. O ecólogo Paul C. Rogers, da Universidade Estadual de Utah, e Darren J. McAvoy, da mesma instituição, assinaram na revista PLOS ONE o levantamento que contou os caules por amostragem sistemática em toda a extensão do bosque e chegou a esse patamar.

A raiz embaixo faz um trabalho que o tronco não faz. Ela armazena açúcares produzidos pelas folhas, distribui água entre setores do bosque e guarda gemas adormecidas capazes de gerar um caule novo quando um trecho de mata queima, cai ou é cortado. Um incêndio que elimina a parte aérea costuma acelerar a brotação, porque abre luz para o solo.

Pando é um organismo masculino. Os álamos-tremedores têm sexos separados, e como o bosque inteiro é uma cópia genética de um único indivíduo, ele produz apenas flores masculinas e nunca gerou uma semente própria. A reprodução dele acontece por expansão lateral da raiz, o que significa que o organismo cresce em área, não em descendência.

A genética confirmou a identidade única em 2024. Um grupo liderado pela pesquisadora Rozenn Pineau, então no Instituto de Tecnologia da Geórgia, sequenciou centenas de amostras de folha, casca e raiz do bosque e verificou que todas pertencem ao mesmo genoma, com pequenas mutações acumuladas em setores distintos, do tipo que se espera de um corpo que passou milênios se copiando.

Essas mutações viraram uma espécie de relógio. Como o número de erros de cópia cresce com o tempo, a equipe usou a quantidade de variações entre setores para estimar a idade e chegou a uma janela larga, de 16 mil a 80 mil anos, deixando registrado que os métodos disponíveis ainda não fecham um valor único para um organismo desse tipo.

A altura média dos troncos fica em torno de 20 metros, e a vida de cada um raramente passa de 130 anos. O tronco é a parte descartável do arranjo: ele nasce, cresce, morre e apodrece, enquanto a raiz segue viva embaixo, o que explica a diferença brutal entre a idade do bosque e a idade da madeira que se vê em pé.

A casca dos álamos guarda outra particularidade prática. Ela contém clorofila e faz fotossíntese mesmo no inverno, depois que as folhas caem, e esse esverdeado sob o branco é um dos sinais que ajudam quem anda pelo bosque a distinguir um clone do vizinho, junto da forma da folha e do momento em que a cor muda.

 
 

II  A História Por Trás

1976, o botânico que mapeou os clones de Utah

O primeiro a tratar o bosque como um único ser foi Burton V. Barnes. Professor de botânica florestal na Universidade de Michigan, ele passou os anos 1960 e 1970 percorrendo as montanhas do oeste americano para mapear clones de álamo, e em trabalho publicado em 1976 identificou a mancha de Fishlake como um organismo só, com base na sincronia da folhagem, na forma das folhas e na continuidade das raízes.

O apelido veio dezesseis anos depois. Michael C. Grant, da Universidade do Colorado, batizou o bosque de Pando em artigo de 1992, tomando emprestada a palavra latina pando, que significa eu me espalho. Foi também nesse texto que apareceu a estimativa de peso que tornou o caso conhecido fora da botânica.

A idade virou o ponto mais disputado da história. Grant chegou a sugerir dezenas de milhares de anos, outros pesquisadores propuseram valores bem menores, e a divergência persistiu porque um organismo que troca de tronco a cada século não deixa anéis de crescimento que cubram a vida inteira dele, apenas a vida do caule mais recente.

A dúvida sobre a idade tem uma consequência prática pouco lembrada. Se Pando de fato atravessou dezenas de milhares de anos, ele sobreviveu a glaciações, a mudanças de clima e à chegada humana ao continente, o que transforma o bosque num arquivo vivo de condições que nenhum registro escrito alcança.

O problema urgente, porém, é recente. Paul C. Rogers documentou na pesquisa de 2018 que o organismo parou de se renovar na maior parte da área: os troncos velhos continuam de pé, mas os brotos novos não chegam à altura adulta, porque veados-mula e gado que pastam no planalto comem os rebentos assim que eles saem da terra.

A prova veio de uma cerca. Um trecho de aproximadamente 65 acres foi isolado com tela em 2013 pela administração da Floresta Nacional de Fishlake, e a contagem de brotos dentro da área cercada cresceu de forma visível, enquanto o terreno aberto ao lado seguiu sem renovação, resultado que Rogers e McAvoy relataram em estudo seguinte publicado em 2022.

A pressão dos herbívoros tem origem humana. A redução de predadores naturais como o lobo e o puma no oeste dos Estados Unidos ao longo do século XX permitiu que a população de veados-mula crescesse, e a caça regulada não recompôs o equilíbrio na região do planalto, segundo a leitura que Rogers apresenta nos dois trabalhos.

Em 2023, o bosque ganhou uma trilha sonora inesperada. O artista sonoro Jeff Rice, em parceria com a organização Friends of Pando, enfiou um hidrofone numa cavidade de raiz e gravou as vibrações de baixa frequência que atravessam o solo durante uma tempestade, material apresentado no mesmo ano num encontro da Sociedade Acústica dos Estados Unidos.

A gravação virou dado, não só curiosidade. Rice e os pesquisadores envolvidos sugeriram que a escuta do subsolo pode ajudar a mapear a extensão das raízes sem escavar, e o material está disponível ao público pela Friends of Pando, organização sediada em Utah que mantém o registro fotográfico e sonoro do bosque.

 

Quem banca a edição de hoje

The Company America’s Cattle Industry Needs Right Now

The U.S. cattle herd has fallen to 86.2 million head. 

That's the lowest level since 1951. And the problem isn't going away, plus ranchers face rising costs and a tightening labor market. 

Yet America still needs to produce beef. 

The equation is simple: Get more from every animal. 

DIT AgTech helps ranchers produce more with less through AI, nutrition automation and real-time data. Its infrastructure boosts herd performance while reducing labor and costs. 

Proven at scale in Australia: 

  • 500+ units deployed 

  • 370,000 head on the platform 

  • Up to 55% higher daily weight gain 

  • Up to 80% reduction in supplementation and labor costs 

What drives adoption? Ranchers get the technology free with a three-year nutrition plan. 

Removing the cost barrier allows DIT AgTech to scale adoption faster, generating more data and recurring revenue 

America needs more output from fewer cattle. DIT AgTech has built the infrastructure to make that possible.

𝘐𝘯 𝘮𝘢𝘬𝘪𝘯𝘨 𝘢𝘯 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘮𝘦𝘯𝘵 𝘥𝘦𝘤𝘪𝘴𝘪𝘰𝘯, 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘰𝘳𝘴 𝘮𝘶𝘴𝘵 𝘳𝘦𝘭𝘺 𝘰𝘯 𝘵𝘩𝘦𝘪𝘳 𝘰𝘸𝘯 𝘦𝘹𝘢𝘮𝘪𝘯𝘢𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘪𝘴𝘴𝘶𝘦𝘳 𝘢𝘯𝘥 𝘵𝘩𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘮𝘴 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘪𝘯𝘤𝘭𝘶𝘥𝘪𝘯𝘨 𝘵𝘩𝘦 𝘮𝘦𝘳𝘪𝘵𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘳𝘪𝘴𝘬𝘴 𝘪𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘦𝘥. 𝘋𝘐𝘛 𝘈𝘨𝘛𝘦𝘤𝘩 𝘩𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘦𝘥 𝘢 𝘍𝘰𝘳𝘮 𝘊 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘵𝘩𝘦 𝘚𝘦𝘤𝘶𝘳𝘪𝘵𝘪𝘦𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘌𝘹𝘤𝘩𝘢𝘯𝘨𝘦 𝘊𝘰𝘮𝘮𝘪𝘴𝘴𝘪𝘰𝘯 𝘪𝘯 𝘤𝘰𝘯𝘯𝘦𝘤𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘪𝘵𝘴 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘢 𝘤𝘰𝘱𝘺 𝘰𝘧 𝘸𝘩𝘪𝘤𝘩 𝘮𝘢𝘺 𝘣𝘦 𝘰𝘣𝘵𝘢𝘪𝘯𝘦𝘥 𝘩𝘦𝘳𝘦: https://bit.ly/4bzuWCi​

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Pra Contar na Mesa

Três frases e os 47 mil troncos de Fishlake

A curiosidade rende mais contada em ordem, e três frases resolvem a mesa:

1. Comece pelo número: em Fishlake, Utah, cerca de 47 mil troncos de álamo são um único organismo, batizado de Pando, com perto de 6.000 toneladas segundo o cálculo de Michael C. Grant, da Universidade do Colorado.

2. Explique o mecanismo: os troncos não são árvores separadas, saem todos da mesma raiz por brotação, carregam o mesmo genoma e trocam de geração enquanto a raiz continua viva embaixo.

3. Feche com a tensão: o ecólogo Paul C. Rogers, da Universidade Estadual de Utah, mostrou em 2018 que o organismo parou de se renovar fora das áreas cercadas, porque os herbívoros comem cada broto novo.

Quem quiser conferir sem depender de contador de caso tem caminho curto: o estudo de Paul C. Rogers e Darren J. McAvoy está aberto na revista PLOS ONE, e a Floresta Nacional de Fishlake, administrada pelo Serviço Florestal dos Estados Unidos, publica as informações de visitação e o traçado das áreas cercadas.

O detalhe que mais rende na mesa tem a ver com o tremor das folhas. O pecíolo, o cabinho que liga a folha ao ramo, é achatado no álamo-tremedor e fica num plano perpendicular à lâmina da folha, o que faz cada uma girar com brisas fracas e produz o som contínuo que dá nome popular à espécie.

Há um segundo campeão que costuma aparecer na discussão. Uma colônia de fungo do gênero Armillaria nas Montanhas Azuis do Oregon cobre área muito maior que Pando, cerca de 900 hectares segundo o Serviço Florestal americano, mas ela vence em extensão, não em massa, porque o corpo dela é uma rede de filamentos finos espalhada pelo solo.

Vale uma precisão que quase sempre escapa. Pando não é a árvore mais antiga conhecida em tronco único: esse posto cabe a pinheiros da espécie Pinus longaeva, também no oeste americano, com anéis contados que passam de 4.800 anos. A comparação é entre categorias diferentes, tronco individual de um lado, organismo clonal do outro.

A visita ao bosque é livre e a maior parte de quem passa nem percebe. O trecho margeia o lago Fish, tem área de camping do Serviço Florestal dentro do próprio organismo, e a melhor época para enxergar o contorno da mancha é o outono, quando a folhagem inteira vira amarela em poucos dias e separa Pando dos clones vizinhos na encosta.

"Você conseguiria olhar para um bosque inteiro e enxergar ali um único ser vivo?"

Amanhã: a bactéria que deixa rosa os lagos salgados da Austrália e o que muda a intensidade da cor.

 
 

Ebook + app · Curiosidade do Dia

Capa do ebook

o ebook

ensina

+
O app no celular

o app

treina

Lembrado na Promoção, no ebook e no app.

📖O ebook ensina: O Comentário de 20 Segundos que faz a chefia repetir o seu nome na reunião que decide salário.
📱O app treina: 1 situação por dia no celular, marcado e anotado. Atrasou, o plano espera.
 
Quero o ebook + app →
 
Quiz da edição

Segundo o texto, quem foi o primeiro pesquisador a identificar o bosque de Fishlake como um único organismo, em 1976?

AMichael C. Grant
BPaul C. Rogers
CBurton V. Barnes
DRozenn Pineau

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🔑🔑🔑🔑🔑  ótima 🔑🔑🔑🔑  boa 🔑🔑🔑  ok 🔑🔑  ruim 🔑  péssima
 
Escolha a próxima edição

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A pauta vencedora vira uma próxima edição.

Voto aberto até 24/09, 15h30

A Pando →
B Os 300 ossos do bebê →
C Parabéns pra Você →
D Imposto sobre a urina →
 
 

Quem banca a edição de hoje

Turn AI into Your Income Engine

Ready to transform artificial intelligence from a buzzword into your personal revenue generator

HubSpot’s groundbreaking guide "200+ AI-Powered Income Ideas" is your gateway to financial innovation in the digital age.

Inside you'll discover:

  • A curated collection of 200+ profitable opportunities spanning content creation, e-commerce, gaming, and emerging digital markets—each vetted for real-world potential

  • Step-by-step implementation guides designed for beginners, making AI accessible regardless of your technical background

  • Cutting-edge strategies aligned with current market trends, ensuring your ventures stay ahead of the curve

Download your guide today and unlock a future where artificial intelligence powers your success. Your next income stream is waiting.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
Recomendação de Newsletter
Mistérios Milenares

Mistérios Milenares

Toda noite, 20:20 na sua caixa: o enigma, as evidências e a pergunta que ninguém respondeu. Com o rigor que você sempre quis e nunca achou em português.

Quero receber →

 
Indique e destrave

Indique essa newsletter para um amigo

Cada leitor confirmado pelo seu link sobe um degrau da escada de prêmios.

  
você1

{{indicacoes_confirmadas | 0}} confirmadas · faltam {{indicacoes_falta | 1}} pra próxima recompensa

● 1
Pack de wallpapers
Pack de wallpapers
■ 3
Edição de Colecionador do mês
Edição de Colecionador do mês
▲ 5
ebook Lembrado na Promoção
ebook Lembrado na Promoção

Pegar meu link de indicação →

 
Sua jornada
🔥 {{streak_atual | 0}} recorde
{{streak_recorde | 0}}

{{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}}

sua patente

{{rank_simbolo | ◆}} {{rank_nome | Aprendiz}}

 

faltam {{xp_falta | 5}} de ouro pra {{rank_prox | próxima patente}}

{{edicoes_lidas | 1}}
edições
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
{{moedas | 0}} de ouro na carteira 🏪 loja e missões no hub
{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
 
Amanhã nesta news

ED 049 · amanhã às 12:12

Os 300 ossos do bebê que viram 206

O recém-nascido carrega quase cem ossos a mais que o adulto, e nenhum se perde: a moleira e o sacro mostram…

 
 
 

Amanhã tem outra.

Curiosidade do Dia

CURIOSIDADE DO DIA

Uma curiosidade por dia

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter