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A expedição tinha saído de Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, no dia 20 de setembro de 1519, com cinco naus (navios grandes de carga) e cerca de 240 homens, sob o comando do português Fernão de Magalhães, a serviço do rei Carlos I da Espanha.
O objetivo era comercial. Magalhães queria chegar às Molucas, as ilhas das especiarias, na atual Indonésia, navegando para oeste, longe das rotas que o Tratado de Tordesilhas, de 1494, reservava a Portugal.
Em 1520, a frota encontrou a passagem no sul da América que hoje leva o sobrenome do comandante, o Estreito de Magalhães. Uma das naus, a San Antonio, desertou ali e voltou sozinha para a Espanha. Outra, a Santiago, já tinha naufragado num reconhecimento da costa.
A travessia do Pacífico durou mais de três meses sem terra à vista. Pigafetta registrou que os homens comeram biscoito podre, serragem e o couro que protegia as vergas (as traves que seguram as velas), amolecido na água do mar.
Em abril de 1521, Magalhães caiu em combate na ilha de Mactan, nas Filipinas, numa luta contra o chefe local Lapu-Lapu. Sem gente para tantos navios, a frota queimou a nau Concepción.
A Trinidad tentou voltar pelo Pacífico e acabou capturada pelos portugueses nas Molucas. Restou a Victoria, sob Juan Sebastián Elcano, um basco que tinha embarcado como mestre (o oficial logo abaixo do capitão).
Elcano escolheu o caminho mais arriscado para casa: cruzar o oceano Índico e contornar a África, longe dos portos portugueses, com o porão cheio de cravo.
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Das cinco naus que saíram em 1519, só a Victoria completou a volta, e só 18 homens desembarcaram dela na Espanha.
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A parada em Santiago custou caro. Na segunda viagem do bote, um marinheiro tentou pagar arroz com cravo, e os portugueses perceberam de onde o navio vinha. Prenderam 13 homens em terra, e a Victoria fugiu antes de ser tomada.
No dia 6 de setembro de 1522, a nau entrou em Sanlúcar com 18 tripulantes europeus. Dois dias depois, já em Sevilha, eles caminharam descalços, de vela na mão, até a igreja de Santa María de la Victoria para cumprir a promessa feita no mar.
Pigafetta deixou o susto por escrito na Relazione del primo viaggio intorno al mondo (Relato da primeira viagem ao redor do mundo), terminada por volta de 1524:
“Mandamos perguntar em terra que dia era, e nos disseram que para eles era quinta-feira. Ficamos espantados, porque para nós era quarta-feira, e não sabíamos como tínhamos errado.”
A explicação chegou pela boca de Gasparo Contarini, embaixador de Veneza junto a Carlos I. Ele ouviu o caso na corte e deu a resposta certa: navegando atrás do sol, a tripulação tinha contado um dia a menos.
O cronista Pedro Mártir de Anglería, que entrevistou os sobreviventes, registrou a mesma conta em latim nas Décadas do Novo Mundo e tratou o dia perdido como uma das maravilhas da viagem.
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