In partnership with

Curiosidade do Dia   Curiosidade do Dia
ED 066
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe as próximas edições: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

O rio Whanganui e os dois guardiões que falam por ele

Desde 2017, um rio da Nova Zelândia tem direitos de pessoa, e quem responde por ele no tribunal são dois guardiões indicados por lados opostos.

O rio Whanganui entre encostas de floresta na Ilha Norte da Nova Zelândia.

Rio Whanganui, Ilha Norte, Nova Zelândia

▼
 

290 quilômetros de água, declarados pessoa jurídica pelo Parlamento da Nova Zelândia em março de 2017. Foi o que a lei chamada Te Awa Tupua fez com o rio Whanganui, o terceiro mais longo do país.

A partir daquele dia, o rio passou a ter direitos, deveres e responsabilidades, do mesmo jeito que uma empresa, uma fundação ou um cidadão. Pode ser parte num processo, pode ser dono de terra e pode ser defendido no tribunal.

O Whanganui nasce nas encostas do monte Tongariro, no centro da Ilha Norte, e desce até o mar da Tasmânia, passando por florestas, desfiladeiros e pequenas vilas. Durante séculos, foi estrada, despensa e lugar sagrado para os povos maori que vivem nas margens.

Esses povos são os iwi do Whanganui, grupos tribais ligados por ancestralidade ao rio. Para eles, o rio nunca foi um recurso, e sim um parente, um antepassado vivo que liga a montanha ao mar.

Um provérbio repetido nas margens resume a relação: "Ko au te awa, ko te awa ko au". Em português, "eu sou o rio, e o rio sou eu".

A lei de 2017 tentou traduzir esse provérbio para a linguagem do direito. Como o rio não fala, ela criou uma figura nova, chamada Te Pou Tupua, que funciona como a voz e o rosto dele.

Te Pou Tupua é formada por duas pessoas. Uma é indicada pelos iwi com interesse no rio. A outra é indicada pelo governo da Nova Zelândia. As duas precisam agir juntas e sempre em nome do rio.

Na votação final, deputados de vários partidos aplaudiram de pé. Representantes dos iwi cantaram na galeria do Parlamento, em Wellington, e muitos choraram ao ouvir a lei ser aprovada.

A cena encerrava uma disputa que tinha começado mais de um século antes. Os iwi do Whanganui reclamavam o rio desde o fim do século 19, em petições, comissões e processos que passaram por gerações de advogados.

Para entender como um rio chegou a ter advogados próprios, é preciso olhar primeiro para o que a lei realmente diz, artigo por artigo.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Tackle your credit card debt by paying 0% interest until nearly 2028

If you have outstanding credit card debt, getting a new 0% intro APR credit card could help ease the pressure while you pay down your balances. Our credit card experts identified top credit cards that are perfect for anyone looking to pay down debt and not add to it! Click through to see what all the hype is about.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A Curiosidade do Dia

Um rio com direitos de pessoa

O nome oficial da lei é Te Awa Tupua, Whanganui River Claims Settlement Act 2017. Ela recebeu a sanção real em 20 de março de 2017 e entrou em vigor como parte de um acordo entre a Coroa e os iwi.

O texto define Te Awa Tupua como um todo vivo e indivisível. O conceito inclui a água, o leito, as margens, os afluentes e até os elementos físicos e espirituais que ligam o rio à montanha e ao mar.

A escolha das palavras foi deliberada. Leis anteriores tratavam o rio como soma de partes: a água era de um, o leito era de outro, e cada pedaço tinha um dono diferente.

Com a nova lei, o leito do rio que pertencia à Coroa passou a pertencer ao próprio rio. A terra não foi devolvida a uma tribo nem a uma empresa, e sim registrada em nome de Te Awa Tupua.

O Whanganui virou pessoa porque a lei precisava de um dono que não fosse nem a Coroa nem os iwi, e o único nome aceito pelos dois lados era o do próprio rio.

A lei também fixou valores que orientam qualquer decisão sobre o rio. Chamados de Tupua te Kawa, esses valores dizem que o rio é fonte de sustento físico e espiritual e que os iwi têm responsabilidade inalienável sobre ele.

Na prática, órgãos públicos que mexem no rio precisam levar esses valores em conta. Uma licença de uso de água, uma obra de ponte ou um plano de pesca passam a ter de responder também ao interesse do Whanganui.

O acordo veio com dinheiro. A Coroa pagou 80 milhões de dólares neozelandeses aos iwi como reparação histórica e criou um fundo de 30 milhões, chamado Te Korotete, para cuidar da saúde do rio.

Também foi criado um grupo estratégico, Te Kōpuka, com representantes dos iwi, de prefeituras, de órgãos ambientais e de quem usa o rio para turismo, pesca e geração de energia.

Os dois guardiões ficam no centro de toda essa engrenagem. Eles assinam documentos, entram com ações e respondem por eventuais danos, sempre em nome do rio e nunca em nome próprio.

A lei proíbe que eles representem os interesses de quem os indicou. O guardião dos iwi não fala pelas tribos, e o guardião do governo não fala pela Coroa. Os dois falam só pelo Whanganui.

 
 

II  A História Por Trás

Um processo com mais de 140 anos

A disputa começa num papel assinado em 1840. O Tratado de Waitangi, firmado entre a Coroa britânica e chefes maori, garantia às tribos a posse plena de suas terras, florestas e pesqueiros.

Os iwi do Whanganui entenderam que o rio fazia parte dessa garantia. A Coroa, nas décadas seguintes, passou a agir como se o rio fosse dela, liberando navegação a vapor, extração de cascalho e obras nas margens.

As primeiras petições ao Parlamento chegaram em 1873. Os iwi pediam que o rio fosse reconhecido como deles e que as obras parassem, porque estavam destruindo as armadilhas de enguia usadas havia séculos.

No começo do século 20, uma lei de 1903 declarou que o leito dos rios navegáveis pertencia à Coroa. O Whanganui entrou na lista, e os iwi passaram a disputar a decisão nos tribunais.

O caso atravessou o século inteiro. Houve comissões de inquérito, decisões da Corte de Terras Nativas, recursos e novos recursos, e cada geração de líderes passou a questão para a seguinte.

Na década de 1960, uma hidrelétrica no Tongariro começou a desviar parte da água que alimentava o Whanganui. A redução da vazão virou mais um capítulo do processo.

A personalidade jurídica não nasceu de uma teoria ambiental: foi a saída encontrada para encerrar o processo mais longo da história da Nova Zelândia.

Em 1999, o Tribunal de Waitangi, órgão que investiga violações do tratado, publicou um relatório dizendo que a Coroa tinha falhado com os iwi do Whanganui e que o rio nunca deveria ter sido tomado.

As negociações formais começaram em seguida. Em 2012, as duas partes assinaram um acordo preliminar que já previa tratar o rio como pessoa, e em 2014 veio o acordo final, chamado Ruruku Whakatupua.

O ministro responsável pelas negociações, Chris Finlayson, disse no Parlamento que a ideia podia parecer estranha, mas que não era mais estranha do que dar personalidade jurídica a empresas e fundações.

A ideia já circulava fora da Nova Zelândia. Em 1972, o jurista americano Christopher Stone publicou o ensaio "Should Trees Have Standing?" na Southern California Law Review.

"Estou propondo, com toda a seriedade, que demos direitos legais a florestas, oceanos, rios e outros chamados objetos naturais do ambiente", escreveu Stone no ensaio de 1972.

Por mais de 40 anos, a proposta ficou nos livros. A lei do Whanganui foi a primeira a aplicar a ideia a um rio inteiro.

 

Quem banca a edição de hoje

Glowing Skin, Plus a Free Gift

Pique's Radiant Skin Duo pairs Sun Goddess Matcha with B·T Fountain, a beauty electrolyte clinically backed to deliver 25% greater skin hydration in 15 days. Through Oct 11, get a FREE Nectar Sweetener with any $115+ order.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Pra Contar na Mesa

Dois guardiões e um rio

Quem conta a história do Whanganui numa conversa costuma ouvir a mesma pergunta: como um rio processa alguém? A resposta está nos dois guardiões.

Se uma fábrica despejar resíduos no Whanganui, os guardiões podem entrar na justiça como representantes do rio. A ação sai em nome de Te Awa Tupua, e uma eventual indenização vai para o próprio rio.

O caminho também funciona ao contrário. Se o rio, como dono do leito, causar um dano, a responsabilidade cai sobre ele, e os guardiões respondem no tribunal.

O modelo se espalhou. Em 2014, a Nova Zelândia já tinha dado personalidade jurídica à floresta de Te Urewera, e em 2025 o monte Taranaki recebeu o mesmo tratamento.

Na Índia, um tribunal do estado de Uttarakhand declarou os rios Ganges e Yamuna como pessoas jurídicas poucos dias depois da lei neozelandesa, em março de 2017. A Suprema Corte do país suspendeu a decisão meses depois.

Os críticos também apareceram. Juristas lembraram que o rio não paga multa do próprio bolso, e fazendeiros das margens temeram que cada cerca ou bomba de irrigação virasse alvo de processo em nome do Whanganui.

Na prática, os primeiros anos foram mais de reunião do que de tribunal. Os guardiões passaram a ser ouvidos em planos de água, licenças e projetos de turismo antes que qualquer obra começasse.

O Equador foi por outro caminho. Desde 2008, a Constituição do país reconhece direitos da natureza como um todo, sem escolher um rio ou uma montanha em especial.

O Whanganui mostra que dar voz a um rio exige duas pessoas sentadas à mesma mesa, porque nenhum dos lados confiava no outro para falar sozinho.

Para levar a história do Whanganui a uma roda de amigos, três passos bastam:

1. Comece pela lei: em março de 2017, a Nova Zelândia aprovou a Te Awa Tupua, que deu ao rio Whanganui a condição de pessoa jurídica.

2. Conte a disputa: os iwi do Whanganui reclamavam o rio desde 1873, com base no Tratado de Waitangi, de 1840.

3. Termine nos guardiões: o rio fala por duas pessoas, uma indicada pelos iwi e outra pelo governo, que só podem defender o interesse dele.

A pergunta que fica ao fim da conversa costuma ser sobre o rio da própria cidade de quem ouve.

“Se o rio mais perto da sua casa pudesse escolher um advogado, de quem ele reclamaria primeiro?”

Amanhã: a floresta de Te Urewera, que deixou de ser parque nacional para virar dona de si mesma.

 
 
Quiz da edição

Quem indica os dois integrantes do Te Pou Tupua, a voz legal do rio Whanganui?

AUm juiz da Suprema Corte e um chefe tribal eleito
BUm representante da ONU e um representante da Coroa britânica
CUm indicado pelos iwi do Whanganui e outro pelo governo da Nova Zelândia
DDois deputados do Parlamento, de partidos diferentes

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🔑🔑🔑🔑🔑  ótima 🔑🔑🔑🔑  boa 🔑🔑🔑  ok 🔑🔑  ruim 🔑  péssima
 
Escolha a edição de quarta

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A mais votada sai na quarta, 14/10.

Voto aberto até 12/10, 15h30

A Montanhas de Kong →
B Nariz do Shinkansen →
C Guugu Yimithirr →
D Dia Perdido da Victoria →
 
Recomendação de Newsletter
Mistérios Milenares

Mistérios Milenares

Toda noite, 20:20 na sua caixa: o enigma, as evidências e a pergunta que ninguém respondeu. Com o rigor que você sempre quis e nunca achou em português.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Amanhã tem outra.

Curiosidade do Dia

CURIOSIDADE DO DIA

Uma curiosidade por dia

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter