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A disputa começa num papel assinado em 1840. O Tratado de Waitangi, firmado entre a Coroa britânica e chefes maori, garantia às tribos a posse plena de suas terras, florestas e pesqueiros.
Os iwi do Whanganui entenderam que o rio fazia parte dessa garantia. A Coroa, nas décadas seguintes, passou a agir como se o rio fosse dela, liberando navegação a vapor, extração de cascalho e obras nas margens.
As primeiras petições ao Parlamento chegaram em 1873. Os iwi pediam que o rio fosse reconhecido como deles e que as obras parassem, porque estavam destruindo as armadilhas de enguia usadas havia séculos.
No começo do século 20, uma lei de 1903 declarou que o leito dos rios navegáveis pertencia à Coroa. O Whanganui entrou na lista, e os iwi passaram a disputar a decisão nos tribunais.
O caso atravessou o século inteiro. Houve comissões de inquérito, decisões da Corte de Terras Nativas, recursos e novos recursos, e cada geração de líderes passou a questão para a seguinte.
Na década de 1960, uma hidrelétrica no Tongariro começou a desviar parte da água que alimentava o Whanganui. A redução da vazão virou mais um capítulo do processo.
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A personalidade jurídica não nasceu de uma teoria ambiental: foi a saída encontrada para encerrar o processo mais longo da história da Nova Zelândia.
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Em 1999, o Tribunal de Waitangi, órgão que investiga violações do tratado, publicou um relatório dizendo que a Coroa tinha falhado com os iwi do Whanganui e que o rio nunca deveria ter sido tomado.
As negociações formais começaram em seguida. Em 2012, as duas partes assinaram um acordo preliminar que já previa tratar o rio como pessoa, e em 2014 veio o acordo final, chamado Ruruku Whakatupua.
O ministro responsável pelas negociações, Chris Finlayson, disse no Parlamento que a ideia podia parecer estranha, mas que não era mais estranha do que dar personalidade jurídica a empresas e fundações.
A ideia já circulava fora da Nova Zelândia. Em 1972, o jurista americano Christopher Stone publicou o ensaio "Should Trees Have Standing?" na Southern California Law Review.
"Estou propondo, com toda a seriedade, que demos direitos legais a florestas, oceanos, rios e outros chamados objetos naturais do ambiente", escreveu Stone no ensaio de 1972.
Por mais de 40 anos, a proposta ficou nos livros. A lei do Whanganui foi a primeira a aplicar a ideia a um rio inteiro.
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