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Alberto Santos Dumont nasceu em 20 de julho de 1873, em Palmira, Minas Gerais, filho do engenheiro Henrique Dumont, dono de uma das maiores fazendas de café do país. Mudou-se para Paris no começo da década de 1890, com dinheiro de sobra para gastar com máquinas.
Na capital francesa, construiu balões e depois dirigíveis com motor a gasolina. Numerava as aeronaves em sequência, e foi com a número 6 que venceu o Prêmio Deutsch em outubro de 1901.
O prêmio, criado pelo industrial Henri Deutsch de la Meurthe, pagava 100 mil francos. Santos Dumont dividiu o valor entre os mecânicos da equipe e os pobres de Paris, gesto que aumentou a fama dele na cidade.
Louis Cartier, nascido em 1875, era dois anos mais novo que o amigo. Neto de Louis-François Cartier, que abriu a joalheria em 1847, assumiu o comando da casa com os irmãos Pierre e Jacques e levou a loja para a rue de la Paix em 1899.
O preconceito que o relógio enfrentou tinha história. Relógio preso ao braço existia havia quase um século, mas como enfeite feminino: a Breguet fez um em 1810 por encomenda de Caroline Murat, rainha de Nápoles, e a Patek Philippe fez outro em 1868 para uma condessa húngara.
Para os homens, o lugar do relógio era o colete. A corrente atravessava a barriga e o mostrador saía do bolso com um gesto quase cerimonial, sinal de posição social.
Santos Dumont pouco ligava para a regra. Usava colarinhos altos, chapéu-panamá e ternos ajustados, e o relógio no pulso entrou no figurino que os jornais franceses reproduziam em desenhos e fotografias.
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Quem tornou o relógio de pulso aceitável para homens foi um aviador vestido com elegância e fotografado sem parar.
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Em 23 de outubro de 1906, no campo de Bagatelle, em Paris, ele voou com o 14-Bis por cerca de 60 metros diante de uma comissão do Aéro-Club de France. Foi a primeira decolagem com motor, sem catapulta, assistida e registrada por uma entidade oficial.
Em 12 de novembro de 1906, no mesmo campo, voou 220 metros em 21,5 segundos. O Aéro-Club de France homologou a marca como recorde de distância, a primeira registrada para um avião.
Com essa fama, a Cartier tinha cliente e vitrine prontos. Em 1911, lançou o modelo Santos para venda ao público, e os homens de Paris passaram a pedir o relógio do aviador.
A Primeira Guerra Mundial, a partir de 1914, terminou o trabalho. Oficiais em trincheira precisavam ler a hora com as mãos livres, e o relógio de pulso virou equipamento militar.
Em 1917, Louis Cartier desenhou outro modelo de pulso, o Tank, inspirado na vista aérea dos tanques Renault que lutavam na frente ocidental.
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