In partnership with

Curiosidade do Dia   Curiosidade do Dia
ED 062
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe as próximas edições: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

O prédio de 11 mil toneladas que girou 90 graus em 1930

A Indiana Bell virou a própria sede em Indianápolis a 38 centímetros por hora, com 600 funcionários trabalhando lá dentro.

Prédio de tijolo e pedra de 8 andares apoiado sobre rolos de aço, em Indianápolis, 1930.

Sede da Indiana Bell sobre rolos, Indianápolis, 1930

▼
 

11 mil toneladas, outubro de 1930. Era o peso do prédio de 8 andares que a Indiana Bell Telephone Company começou a empurrar, de lado, pelo próprio terreno no centro de Indianápolis, nos Estados Unidos.

O edifício ficava na esquina das ruas Meridian e New York, a poucas quadras do monumento central da cidade. Era de aço, tijolo e pedra calcária, a pedra clara que o estado de Indiana tira das suas pedreiras e manda para o país inteiro.

Lá dentro funcionava a central telefônica que atendia boa parte da cidade. Telefonistas ligavam chamadas à mão, puxando cabos de um painel para outro. Desligar o prédio, nem por uma hora, significava deixar milhares de linhas mudas.

A empresa precisava de uma sede maior, e o terreno certo para ela era exatamente o chão onde o prédio velho estava. A saída comum seria demolir e construir de novo. A Indiana Bell recusou a saída comum.

O plano escolhido parecia piada de engenheiro. O prédio inteiro seria erguido sobre rolos de aço, empurrado para os fundos do terreno e girado 90 graus, até a fachada passar a olhar para outra rua.

A velocidade combinada era de 38 centímetros por hora. Um adulto andando devagar cobre essa distância em meio segundo. O prédio levaria uma hora inteira.

Durante a mudança, os 600 funcionários seguiram no expediente normal. Subiam pela mesma porta, sentavam nas mesmas mesas, atendiam os mesmos telefones. Ninguém foi mandado para casa.

Luz, água, aquecimento e linhas telefônicas continuaram ligados do primeiro ao último dia. Os canos e cabos ganharam emendas flexíveis, que esticavam e dobravam conforme o prédio andava.

Quem trabalhava no último andar só percebia a mudança olhando pela janela: a vista era outra a cada manhã. O café na mesa não tremia.

A pergunta que todo mundo fazia na cidade era simples: como se move um bloco de 11 mil toneladas sem que ninguém lá dentro sinta?

Continue lendo ↓

 
 

I  A Curiosidade do Dia

Rolos, macacos e um trilho de madeira

O serviço ficou com a John Eichleay Jr. Company, uma empresa de Pittsburgh especializada em erguer e transportar construções inteiras. O prédio da Indiana Bell foi o trabalho mais famoso da história dela.

O primeiro passo foi separar o edifício do chão. Os operários cavaram em volta da fundação e cortaram as colunas de aço logo abaixo do piso térreo. Ali instalaram vigas novas, que passaram a carregar o peso inteiro.

Embaixo dessas vigas entrou uma cama de rolos de aço, apoiados sobre trilhos de madeira grossa assentados no chão. O prédio deixou de estar preso à terra e passou a descansar sobre cilindros que podiam rolar.

Para empurrar, a equipe usou macacos (aparelhos que erguem ou empurram cargas pesadas com pouca força). Eram macacos de rosca, girados à mão por operários espalhados em volta da base.

Cada homem dava um quarto de volta na manivela ao sinal do chefe da turma. Todos ao mesmo tempo. Se um lado avançasse mais rápido que o outro, as paredes rachariam.

A força que moveu 11 mil toneladas não vinha de motor nenhum: vinha de homens girando manivelas, todos no mesmo compasso, centímetro por centímetro.

O giro de 90 graus exigiu uma geometria própria. Os trilhos foram assentados em arco, como os raios de uma roda, em volta de um ponto fixo que servia de pivô (o eixo em torno do qual o prédio girava).

Os rolos de dentro da curva andavam menos que os de fora, do jeito que a roda de dentro de um carro anda menos na curva. A equipe precisava ajustar a posição de cada rolo à mão, conforme o arco avançava.

A lentidão era a proteção. A 38 centímetros por hora, qualquer desnível aparecia nos instrumentos antes de virar trinca. Os engenheiros mediam o prumo das paredes o tempo todo e corrigiam o ritmo dos macacos.

As ligações de serviço viajaram junto. A água chegava por mangueiras longas. O gás e o vapor do aquecimento passavam por tubos com juntas articuladas. Os cabos telefônicos ficaram com folga, enrolados, para soltar conforme a distância crescia.

A entrada também precisou andar. Uma passarela de madeira, presa ao prédio de um lado e solta do outro, deixava os funcionários entrarem pela porta de sempre. A cada dia, a passarela era reposicionada.

O resultado foi um prédio que nunca parou de funcionar. A central telefônica seguiu ligando chamadas, os escritórios seguiram despachando papel e a folha de pagamento saiu no dia certo.

 
 

II  A História Por Trás

Por que a Indiana Bell não demoliu

A Indiana Bell Telephone Company era a operadora de telefone do estado de Indiana, parte do grupo Bell, que dominava a telefonia americana. Nos últimos anos da década de 1920, o número de linhas na cidade crescia mais rápido que o espaço da sede.

A empresa encomendou um prédio novo, bem mais alto, à firma de arquitetura Vonnegut, Bohn & Mueller, de Indianápolis. Um dos sócios era Kurt Vonnegut Sr., pai do escritor Kurt Vonnegut, autor de Matadouro-Cinco.

O lugar ideal para o prédio novo era a esquina onde o velho estava. A esquina dava para a rua principal e tinha a fiação toda já chegando ali. Construir em outro terreno significaria refazer a rede de cabos subterrâneos da região.

Demolir também tinha preço. Derrubar o prédio velho obrigava a empresa a alugar escritórios provisórios, mudar centenas de pessoas e, pior, transferir a central telefônica sem cortar o serviço de milhares de assinantes.

Mover o prédio resolvia os três problemas ao mesmo tempo. A esquina ficava livre para a obra nova. A central não parava. E o prédio velho continuava servindo, agora nos fundos do terreno, enquanto o novo subia ao lado.

A Indiana Bell não girou o prédio por espetáculo. Girou porque desligar a central custaria mais caro que empurrar 11 mil toneladas.

O serviço começou em outubro de 1930 e levou semanas. O prédio foi primeiro deslizado para trás, depois girado, depois empurrado de novo até a posição final.

A época pesava na decisão. Era o primeiro ano da Grande Depressão, a crise que começou com a quebra da bolsa de Nova York em outubro de 1929. Empresa nenhuma queria jogar fora um prédio de pé.

A obra virou atração. Moradores de Indianápolis iam até a esquina olhar o edifício que andava. Jornais do país inteiro publicaram fotos do prédio fora do lugar, com as janelas acesas e as pessoas trabalhando.

Para a Indiana Bell, a conta fechou. A central seguiu atendendo os assinantes sem interrupção registrada, e a empresa não precisou pagar aluguel provisório para nenhum dos 600 funcionários enquanto a obra nova avançava.

Com a esquina livre, a sede nova subiu ao lado do prédio velho. Os dois passaram a funcionar lado a lado, ligados, durante décadas.

O prédio girado não chegou aos dias de hoje. Décadas depois, a Indiana Bell precisou de ainda mais espaço e derrubou a construção que tinha salvado em 1930, para ampliar a sede. O que sobrou do episódio foram as fotografias e os registros da obra.

 

Quem banca a edição de hoje

Where Quantitative Thinkers Compete, Learn and Grow

The International Quant Championship (IQC) is one of the world's largest quantitative research competitions, bringing together 156,000+ participants globally.

Participants have the opportunity to develop quantitative research skills, challenge themselves alongside peers from around the world and connect with a global community of quantitative thinkers.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Pra Contar na Mesa

A mesa que não sentiu o prédio andar

A história da Indiana Bell sobrevive em fotografias guardadas por arquivos históricos de Indiana e em reportagens da época. Ela costuma aparecer em livros de engenharia como exemplo de mudança de prédio sem interromper o uso.

Mover construções inteiras era um ofício conhecido nos Estados Unidos desde o século 19. Em Chicago, nos anos 1850 e 1860, prédios foram erguidos com macacos para elevar o nível das ruas e instalar esgoto por baixo, com hóspedes dentro de hotéis.

O ofício tinha nome próprio no país: house moving (mudança de casa, em inglês), com empresas que viajavam de cidade em cidade atrás de clientes. A Eichleay era uma delas, e cresceu levando pontes, fábricas e casas inteiras de um ponto a outro.

O caso de Indianápolis chamou atenção pelo tamanho e pelo giro. Erguer um prédio é uma tarefa. Rodá-lo 90 graus, sem rachar parede e sem tirar ninguém da cadeira, é outra bem mais difícil.

A técnica de 1930 continua viva. Empresas de hoje ainda movem casas, igrejas e faróis sobre trilhos e rolos, agora com macacos hidráulicos (movidos a óleo sob pressão) controlados por computador no lugar das manivelas.

Em 1999, o Farol do Cabo Hatteras, na Carolina do Norte, foi levado para longe do mar que avançava sobre ele, usando o mesmo princípio de trilhos, rolos e macacos que empurrou o prédio da Indiana Bell.

O que separa a mudança de 1930 de uma demolição comum é a pressa. A Indiana Bell trocou velocidade por continuidade, e o prédio nunca deixou de servir.

Para contar a história numa roda de amigos, três passos bastam:

1. Comece pelo peso: em 1930, em Indianápolis, a Indiana Bell decidiu mover a própria sede, um prédio de 8 andares e 11 mil toneladas.

2. Conte a velocidade: o prédio andou e girou 90 graus a 38 centímetros por hora, empurrado por macacos girados à mão sobre rolos de aço.

3. Termine no detalhe que ninguém acredita: os 600 funcionários trabalharam lá dentro o tempo todo, com luz, água e telefone ligados.

“Se o seu escritório começasse a andar 38 centímetros por hora, quanto tempo você levaria para perceber?”

Amanhã: o quadro de Matisse que passou 47 dias de cabeça para baixo no MoMA, em 1961.

 
 
Lembrado na Promoção: oito situações, uma por dia: A primeira reunião do dia, A reunião em que você não tem nada, A sala com a chefia da chefia, A reunião de crise, O comentário por escrito, A ideia repetida por outro, A conversa de avaliação, A reunião que decide salário. Começar pelo dia 1.

Começar pelo dia 1 →

 
Quiz da edição

Qual era a velocidade combinada para deslocar o prédio da Indiana Bell durante a mudança?

A3,8 centímetros por hora
B38 metros por hora
C38 centímetros por hora
D380 centímetros por minuto

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🔑🔑🔑🔑🔑  ótima 🔑🔑🔑🔑  boa 🔑🔑🔑  ok 🔑🔑  ruim 🔑  péssima
 
Escolha a edição de sábado

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A mais votada sai no sábado, 10/10.

Voto aberto até 08/10, 15h30

A Guugu Yimithirr →
B Dia Perdido da Victoria →
C Comitê de Nomes da Islândia →
D Dilúvio de Melaço →
 
 

Quem banca a edição de hoje

Glowing Skin, Plus a Free Gift

Pique's Radiant Skin Duo pairs Sun Goddess Matcha with B·T Fountain, a beauty electrolyte clinically backed to deliver 25% greater skin hydration in 15 days. Through Oct 11, get a FREE Nectar Sweetener with any $115+ order.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
Recomendação de Newsletter
Ciência Bizarra

Ciência Bizarra

Todo dia, 20:20. Um fenômeno verificado que desafia o senso comum, com a fonte na mesa. Espanto com paper, não com clique.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Amanhã tem outra.

Curiosidade do Dia

CURIOSIDADE DO DIA

Uma curiosidade por dia

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter