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O caso de Le Bateau não ficou sozinho. Em 2022, a historiadora de arte Susanne Meyer-Büser, curadora da Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, museu de Düsseldorf, na Alemanha, anunciou um erro parecido.
A obra era New York City I, de Piet Mondrian, pintor holandês famoso pelas linhas retas e cores puras. A peça, feita com fitas adesivas coloridas, estava exposta de cabeça para baixo havia décadas, desde 1980 naquele museu.
Meyer-Büser chegou à conclusão comparando a obra com uma fotografia do ateliê de Mondrian, tirada pouco depois da morte dele, em 1944. Na foto, o quadro aparece apoiado num cavalete com as linhas densas no alto.
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O museu decidiu manter o Mondrian do jeito que estava, porque virar a obra poderia descolar as fitas, que tinham mais de 80 anos.
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O caso alemão tem uma diferença em relação ao de Matisse: lá, a orientação correta ainda é debatida por especialistas. Em Nova York, o catálogo da própria exposição resolvia a dúvida.
A arte abstrata facilita esse tipo de engano. Sem rosto, horizonte ou letra, o olho não encontra o sinal que normalmente diz onde fica o alto de uma imagem.
Os museus aprenderam com esses episódios. Hoje, toda obra que sai de uma reserva técnica viaja com fichas, fotografias de referência e setas marcadas no verso da moldura indicando o topo.
Le Bateau segue na coleção do MoMA, na posição certa desde 4 de dezembro de 1961. A obra voltou a ser exibida em 2014, na grande mostra Henri Matisse: The Cut-Outs (Henri Matisse: Os Recortes), organizada pelo MoMA com a Tate Modern, de Londres.
Nessa mostra, a vela maior apontava para o alto, como Matisse a deixou. Os textos da exposição citavam o caso de 1961, e muitos visitantes paravam diante do barco para conferir com os próprios olhos.
Geneviève Habert não ganhou prêmio, cargo nem homenagem oficial do museu. Ficou conhecida apenas pela reportagem de dezembro de 1961, como a visitante que olhou duas vezes para o mesmo barco.
Para contar a história de Le Bateau numa roda de amigos, três passos bastam:
1. Comece pelo número: em 1961, uma obra de Henri Matisse ficou 47 dias de cabeça para baixo no MoMA, em Nova York.
2. Conte o público: segundo o The New York Times, cerca de 116 mil pessoas viram a exposição sem que ninguém do museu percebesse o erro.
3. Termine em quem descobriu: Geneviève Habert, uma corretora da bolsa, comparou a parede com o catálogo e viu que a vela apontava para baixo.
“Se você estivesse na sala em 1961, teria olhado para a vela ou para a etiqueta do quadro?”
Amanhã: a ponte de Londres que foi vendida em 1968 e remontada no deserto do Arizona.
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