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Em 1952, no observatório Lamont, em Nova York, Marie Tharp desenhava à mão o perfil do fundo do Atlântico com as fitas de sondagem que os navios traziam. Ela não podia embarcar: mulher a bordo dava azar, pela regra da casa.
Traçando perfil por perfil, ela notou um entalhe em V bem no ponto mais alto da cordilheira, repetido em todas as travessias. Bruce Heezen, o colega que coletava os dados no mar, chamou a observação de conversa fiada e mandou refazer.
Ela refez, e o vale continuou lá. Quando os epicentros de terremoto do Atlântico entraram no mesmo mapa, a fileira de pontos caiu dentro da fenda desenhada.
O mapa dizia onde. Faltava dizer quanto, e a resposta veio de um instrumento que não tinha nada a ver com relevo: o magnetômetro rebocado, ferramenta criada na guerra para detectar submarino de aço.
Arrastado atrás dos navios travessia após travessia, ele registrou algo que ninguém tinha encomendado. O campo magnético sobre o fundo do Atlântico aparece em faixas paralelas à dorsal, uma forte, a seguinte fraca, e o padrão de um lado é o espelho do outro.
A explicação está na física do basalto. A lava sai do eixo a mais de mil graus e, ao cruzar os 580 graus na descida, os cristais de magnetita travam a direção do campo magnético terrestre daquele instante e nunca mais soltam.
E o campo terrestre troca de polaridade de tempos em tempos. Bernard Brunhes achou rocha magnetizada ao contrário em 1906, e a datação por potássio e argônio nos anos 1960 transformou as inversões em calendário.
A ideia de assoalho em movimento já estava na mesa. Harry Hess, geólogo de Princeton, propôs em 1962 que o fundo nascia nas dorsais e desaparecia nas fossas, e classificou o próprio texto sem cerimônia.
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"Vou considerar este trabalho um ensaio de geopoesia." Harry Hess, History of Ocean Basins, 1962.
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Frederick Vine e Drummond Matthews juntaram as duas metades num artigo curto na Nature, em 1963. Se o fundo nasce no eixo e se afasta, cada inversão do campo fica registrada como uma faixa, e o assoalho do mar é uma fita magnética que se grava sozinha.
Daí a medida cai numa divisão de escola primária. A faixa central, a que está sendo gravada agora, tem cerca de vinte quilômetros de largura, dez para cada lado do eixo da dorsal.
O campo magnético não se inverte há aproximadamente 780 mil anos. Dez mil metros divididos por 780 mil anos dão 1,28 centímetro por ano de cada lado, ou 2,5 centímetros de abertura total por ano.
Foi com uma bobina rebocada e uma conta de dividir que o Atlântico ganhou velocidade. Nenhum mergulho, nenhum satélite, nenhum equipamento no fundo.
A confirmação veio por dois caminhos. O navio Glomar Challenger cruzou o Atlântico Sul em 1968 e 1969 furando o fundo cada vez mais longe do eixo, e a idade do sedimento crescia em linha reta com a distância.
O segundo caminho demorou mais vinte anos. Só nos anos 1980 a interferometria de longa base e depois o GPS mediram o movimento das placas de forma direta, e devolveram o mesmo número que o magnetômetro já tinha entregado.
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