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O grupo por trás da contagem foi liderado por Thomas Crowther, então pesquisador de pós-doutorado na Universidade Yale, com dezenas de colaboradores espalhados por instituições de vários países. O ponto de partida não foi uma agenda acadêmica.
Uma organização ambiental fundada por um adolescente alemão, dedicada a plantar árvores, procurou o grupo com uma dúvida prática: quantas árvores existem no mundo hoje, para que a campanha de plantio pudesse dizer que fração estava acrescentando. Ninguém tinha uma resposta com lastro empírico.
A estimativa disponível, de 400 bilhões, vinha de sensoriamento remoto puro. O satélite enxerga cobertura de copa vista de cima, o que resolve a pergunta sobre quanta área é floresta e não resolve a pergunta sobre quantos troncos existem debaixo daquela copa.
A saída foi juntar as duas escalas. A equipe reuniu 429.775 medições de densidade feitas em campo, tronco a tronco, em parcelas de inventário florestal distribuídas por mais de cinquenta países e por todos os continentes, com exceção da Antártida.
Cada parcela de campo virou um ponto de calibração para o satélite. Com esses pontos, o grupo montou modelos que relacionam densidade real de troncos a variáveis observáveis do espaço, como clima, topografia, tipo de solo e cobertura vegetal, e depois estendeu o modelo para o planeta inteiro em células de um quilômetro quadrado.
"As florestas são um dos ecossistemas terrestres mais dominantes do planeta, e ainda estamos aprendendo o básico sobre elas." T. W. Crowther e colegas, Mapping tree density at a global scale, Nature, 2015.
O salto de 400 bilhões para 3 trilhões não significa que árvores apareceram. Significa que a régua anterior era ruim, e a diferença entre as duas cifras mede a qualidade do método, não uma mudança no mundo.
A parte que o próprio grupo classificou como mais importante veio junto e não tem nada de celebratório. Ao rodar o mesmo modelo com dados históricos de cobertura, a equipe estimou que o planeta tinha aproximadamente o dobro de árvores antes do início da agricultura humana em larga escala, uma queda de cerca de 46%.
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A humanidade derruba cerca de 15 bilhões de árvores por ano e repõe uma fração disso, resultando em perda líquida estimada em torno de 10 bilhões de árvores anuais.
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Nesse ritmo, os 3 trilhões não são um estoque confortável, são o saldo restante de uma conta que vem sendo debitada há dez mil anos e que só ganhou um extrato confiável em 2015.
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