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O problema que caiu na mesa de Eiji Nakatsu já tinha quase 20 anos. Ele apareceu com força em 1975, quando a linha Sanyo chegou a Hakata, na ilha de Kyushu.
O trecho novo cruzava as montanhas de Chugoku por túneis longos. Um deles, o Shin-Kanmon, passa por baixo do estreito que separa a ilha de Honshu da ilha de Kyushu.
O mecanismo do estrondo começa na entrada do túnel. Quando o nariz do trem bate no ar parado do túnel, comprime uma fatia de ar à frente dele, e essa fatia vira uma onda de pressão.
A onda viaja pelo tubo na velocidade do som, bem mais rápida que qualquer trem. A cada metro, a frente dela fica mais íngreme, como uma marola que cresce até virar parede.
Na boca de saída, uma parte da onda escapa para fora num pulso curto, a onda de micropressão (um golpe rápido de ar comprimido). O ouvido percebe o pulso como explosão, e as janelas das casas próximas vibram junto.
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O estrondo nascia na entrada do túnel, quando o nariz batia no ar parado, e só explodia quilômetros depois.
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O tipo de trilho piorava o quadro. Nos túneis longos do Shinkansen, os trilhos assentam sobre laje de concreto, sem brita. A brita absorve parte da onda; o concreto liso deixa a onda passar inteira e cada vez mais afiada.
A velocidade pesa mais que tudo. Um trem que entra mais rápido comprime o ar com mais força e em menos tempo, e o pulso na outra ponta cresce muito além do ganho de velocidade.
A ferrovia tentou remédios na própria obra. Na entrada de vários túneis, construiu capuzes de concreto com aberturas laterais, uma espécie de antessala que deixa parte do ar escapar enquanto o trem ainda chega ao tubo principal.
Os capuzes funcionavam, mas custavam caro e precisavam ser erguidos túnel por túnel, numa linha cheia deles.
Em 1992, a JR West testou um trem experimental, o WIN350, que passou dos 350 km/h nos ensaios. O teste provou que motor e trilho aguentavam a velocidade. O ar dentro dos túneis continuava sendo o limite.
A conclusão dos técnicos foi direta: a forma do nariz decide o tamanho da onda. Um nariz curto e rombudo empurra o ar como uma parede. Um nariz longo, cuja seção engrossa devagar, dá tempo ao ar de escorrer para os lados.
Faltava descobrir qual desenho de nariz fazia o melhor serviço, e Nakatsu foi buscar a resposta fora da engenharia.
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