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A Grande Mesquita de Djenné de 1907 ocupa o terreno de uma mesquita bem mais velha. Quem conta a origem é o Tarikh al-Sudan (Crônica do Sudão, nome que os árabes davam à África ao sul do Saara), escrito em Tombuctu na década de 1650 pelo historiador Abd al-Rahman al-Sadi.
Segundo a crônica, Koi Konboro, o primeiro rei de Djenné a se converter ao Islã, mandou derrubar o próprio palácio e erguer a mesquita no lugar. Para morar, construiu outro palácio perto dela.
A crônica não traz o ano. A tradição da cidade situa a conversão no século 13, mas nenhum documento da época confirma a data, e a aparência exata do primeiro prédio não chegou até nós.
Por séculos, a mesquita de Koi Konboro foi o centro de um porto de comércio. Pelos rios Bani e Níger, Djenné ligava o ouro das terras do sul ao sal do Saara e aos mercadores de Tombuctu, rio abaixo.
O reformador e as andorinhas
No começo do século 19, a cidade caiu sob o Império de Massina, fundado por Seku Amadu, líder religioso dos fulas (povo de pastores da África Ocidental). Reformador rigoroso, ele via luxo demais na mesquita antiga e mandou erguer outra, mais simples.
A mesquita velha ficou sem o reboco anual. Estação após estação, a chuva comeu o barro das torres e das paredes, até o prédio virar ruína.
O explorador francês René Caillié passou por Djenné em março de 1828 e registrou o estado do prédio no livro “Journal d'un voyage à Temboctou et à Jenné” (Diário de uma viagem a Tombuctu e a Djenné), publicado em 1830.
“Em Djenné há uma mesquita construída de terra, encimada por duas torres maciças, mas pouco altas; é toscamente construída, embora muito grande. Está abandonada a milhares de andorinhas, que fazem ninho nela”, escreveu Caillié. Por causa do cheiro dos ninhos, contou ele, os fiéis rezavam num pequeno pátio do lado de fora.
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A mesquita antiga de Djenné virou ruína sem demolição: bastaram algumas décadas sem o reboco anual.
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O mestre de 1907
Em 1893, tropas francesas tomaram Djenné. Dois anos depois, o jornalista francês Félix Dubois visitou as ruínas e publicou um desenho de como a mesquita antiga teria sido no livro “Tombouctou la mystérieuse” (Tombuctu, a misteriosa), de 1897.
Em 1906, a corporação dos pedreiros de Djenné começou a reerguer a mesquita no terreno original. A obra foi dirigida pelo chefe da corporação, o mestre pedreiro Ismaila Traoré, e ficou pronta em 1907.
Quanto do desenho veio de Traoré e quanto veio da administração colonial virou debate. Textos coloniais deram o crédito aos franceses. Em 1987, o historiador da arquitetura Jean-Louis Bourgeois publicou na revista African Arts (Artes Africanas) um estudo defendendo que o prédio segue a tradição dos pedreiros locais, e a questão continua aberta entre os historiadores.
A mesquita de Traoré sobreviveu porque a cidade voltou a fazer o que a mesquita antiga deixou de receber: o reboco de todo ano.
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