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Por volta de 8000 a.C., os recintos de Göbekli Tepe ficaram cheios de entulho até o topo dos pilares. Schmidt defendia que os próprios construtores enterraram os círculos de propósito, com terra, lascas de sílex e ossos, como quem encerra um lugar sagrado.
Depois de 2014, a direção passou ao arqueólogo Lee Clare, do mesmo Instituto Arqueológico Alemão. Em 2019, Clare e colegas publicaram estudos indicando outra explicação para parte do entulho: deslizamentos das encostas e acúmulo lento ao longo de gerações. A discussão continua aberta.
Os crânios marcados
Restos humanos são raros no sítio, mas apareceram. Em 2017, Julia Gresky, Juliane Haelm e Lee Clare publicaram na revista Science Advances a análise de três fragmentos de crânio com sulcos fundos entalhados de propósito, feitos depois da morte.
Um dos fragmentos tem um furo, o que sugere que o crânio ficava pendurado. Os autores chamaram a prática de culto do crânio, um costume já visto em outros sítios do mesmo período no Oriente Médio.
As escavações mais recentes também acharam cisternas para guardar água da chuva e restos de atividades do dia a dia. Por esse motivo, parte dos pesquisadores passou a ver Göbekli Tepe como um lugar onde também se morava, e não só um santuário isolado.
O que segue sem resposta
Ninguém sabe que língua falava o povo de Göbekli Tepe, como chamava o lugar ou em que acreditava. Não existia escrita, e nenhum dos entalhes foi lido como texto. Os pilares mostram o que eles esculpiam, não o que diziam.
Também não se sabe o tamanho real do sítio. Um levantamento geofísico do Instituto Arqueológico Alemão, feito em 2003, detectou sinais de outros recintos ainda debaixo da terra, e a maior parte do morro nunca foi aberta.
Göbekli Tepe deixou de ser um caso isolado. Desde 2019, o projeto Taş Tepeler (Morros de Pedra, em turco), coordenado pelo arqueólogo Necmi Karul, da Universidade de Istambul, escava sítios vizinhos do mesmo período, como Karahan Tepe, com pilares em T e cabeças humanas esculpidas.
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Os caçadores de Göbekli Tepe ergueram pilares de 5,5 metros sem escrita, sem metal e sem lavoura, e boa parte do que construíram ainda nem foi vista.
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Se for contar a alguém, três passos:
1. Comece pelo engano: em 1963, os pilares foram tomados por lápides de um cemitério medieval.
2. Mostre o corpo: no Pilar 18, braços, mãos e uma pele de raposa estão entalhados na pedra.
3. Termine na conta: os pilares têm cerca de 11.500 anos, seis mil a mais que Stonehenge.
Em 2018, a Unesco incluiu Göbekli Tepe na lista do Patrimônio Mundial, e hoje os recintos ficam sob uma cobertura de aço e lona que protege os pilares da chuva e do sol.
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