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Em 1830, os irmãos Richard e John Lander desceram o Níger de barco e encontraram a foz. O rio terminava no golfo da Guiné, no delta onde hoje fica a Nigéria. A teoria de Rennell caiu ali.
A serra, porém, ficou. Os cartógrafos ajustaram o traçado do rio e mantiveram as montanhas onde estavam, como se uma peça do mapa não dependesse da outra.
Em 1991, os geógrafos Thomas Bassett e Philip Porter publicaram no Journal of African History um estudo sobre o caso, com o título "From the Best Authorities: The Mountains of Kong in the Cartography of West Africa". Eles levantaram dezenas de mapas comerciais do século 19 com a serra desenhada.
O estudo mostra o mecanismo da cópia. Mapear o interior da África custava expedição, dinheiro e anos de viagem. Copiar o mapa de um concorrente respeitado custava uma tarde de gravura.
Cada editor confiava no anterior. Quando um atlas alemão trazia a serra, um atlas inglês a reproduzia, e um atlas americano copiava o inglês. A repetição virava prova.
Os mapas de época ainda tinham uma vaidade: espaço em branco parecia ignorância. Editor que deixava o interior da África vazio vendia menos do que o concorrente com rios, lagos e serras preenchendo a folha.
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Quanto mais mapas traziam a serra, mais confiável ela parecia, mesmo sem nenhuma medição nova.
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Os desenhos foram ficando mais ambiciosos. Em certas versões, as Montanhas de Kong se ligavam a outras cadeias e cruzavam a África quase de costa a costa. Em outras, ganharam altitudes e cumes nevados.
Do lado francês, a resposta veio por interesse colonial. Louis-Gustave Binger, oficial da marinha nascido em 1856, partiu em 1887 da região do rio Senegal com a missão de abrir rotas comerciais e firmar tratados no interior.
Ele chegou a Kong em fevereiro de 1888. A cidade existia e era grande, um centro de comerciantes diulas, com mesquitas e mercado. A serra não estava lá.
O que ele viu foi uma paisagem de savana, com elevações modestas, nada capaz de justificar o nome de montanha. Os morros avistados por Park de longe eram colinas isoladas, sem ligação entre si.
Binger continuou para o sul e alcançou o litoral em Grand-Bassam, em 1889, atravessando a faixa onde a muralha deveria estar. Nada no caminho lembrava uma cordilheira.
O relato saiu em livro em 1892, com o título "Du Niger au golfe de Guinée par le pays de Kong et le Mossi". Binger depois virou o primeiro governador da colônia da Costa do Marfim, em 1893.
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