In partnership with

Curiosidade do Dia   Curiosidade do Dia
ED 058
{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

As 12 câmeras que flagraram um cavalo voando

Em 1878, na Califórnia, Eadweard Muybridge fotografou a égua Sallie Gardner e provou que o galope tira as 4 patas do chão.

Sequência de fotos de uma égua a galope com jóquei, Palo Alto, 1878.

Sallie Gardner no ar, Palo Alto, 1878

▼
 

12 câmeras, 15 de junho de 1878. Era a fileira de caixas de madeira montada na beira de uma pista de corrida em Palo Alto, na Califórnia, à espera de uma égua chamada Sallie Gardner.

Do outro lado da pista havia um muro branco, pintado com linhas verticais numeradas. Na frente das câmeras, atravessando a terra batida, corria uma série de fios finos, esticados na altura do peito do animal.

O plano era simples de dizer e difícil de fazer. A égua passaria a galope, romperia os fios um a um, e cada fio rompido dispararia o obturador (a peça que abre e fecha a passagem de luz) de uma câmera diferente.

Atrás das câmeras estava o fotógrafo Eadweard Muybridge, um inglês que já tinha fama na Califórnia por suas paisagens do vale de Yosemite. Perto dele, entre os convidados, estava o homem que pagava a conta.

Leland Stanford tinha sido governador da Califórnia e era um dos donos da ferrovia Central Pacific. Na fazenda de Palo Alto, ele criava cavalos de corrida e queria entender, com prova na mão, como eles se moviam.

A dúvida dele era antiga e tinha resposta em quadro de museu. Os pintores desenhavam o cavalo a galope com as pernas da frente esticadas para a frente e as de trás esticadas para trás, como um cavalinho de balanço suspenso no ar.

Treinadores e criadores discutiam o oposto: se o cavalo ficava ou não com as quatro patas fora do chão em algum instante. O olho humano não acompanha a pata de um cavalo em disparada, então a discussão girava em círculos.

Naquela manhã de junho, Stanford convidou jornalistas para assistir. Se as fotos saíssem, ninguém poderia dizer que tinham sido arrumadas depois.

Sallie Gardner disparou pela pista, com o jóquei montado. Os fios estalaram em sequência, as câmeras bateram uma atrás da outra, e Muybridge correu para revelar as chapas de vidro ali mesmo.

Em poucos minutos, os repórteres viram as imagens ainda molhadas. Numa delas, a égua aparecia solta no ar.

A seguir: como as câmeras funcionavam, o que a foto mostrou na pista e por que ela acabou levando ao cinema.

Continue lendo ↓

 
 

I  A Curiosidade do Dia

Fios que viravam gatilho

O fotógrafo Eadweard Muybridge nasceu Edward James Muggeridge, em 1830, em Kingston upon Thames, na Inglaterra. Mudou a grafia do nome mais de uma vez depois de emigrar para os Estados Unidos, e "Eadweard" foi a versão que ele adotou para assinar o trabalho.

Stanford o procurou pela primeira vez em 1872. Naquele ano, Muybridge fotografou o trotador Occident, outro cavalo da fazenda, mas a imagem saiu borrada, uma mancha escura que mal mostrava as pernas.

O problema era a velocidade. As chapas fotográficas da época precisavam de bastante luz e de um tempo longo de exposição (o intervalo em que a luz atinge a chapa), e um cavalo a galope atravessa vários metros nesse tempo.

Muybridge levou anos resolvendo a questão. Desenvolveu obturadores movidos a mola e elástico, capazes de abrir e fechar muito mais rápido que a tampa de lente usada pelos fotógrafos comuns.

Para o galope de Sallie Gardner, a solução do disparo foi física. Cada fio esticado na pista estava ligado ao mecanismo de uma câmera; quando o peito da égua batia no fio, o puxão soltava o obturador.

As 12 câmeras de Muybridge, disparadas pelos fios que a própria égua rompia, registraram em sequência uma passada inteira de galope, e uma das imagens mostrou Sallie Gardner com as quatro patas fora do chão.

O muro branco com linhas numeradas tinha uma função precisa. Ele servia de escala: em cada foto dava para saber em que ponto da pista o animal estava e quanto ele tinha avançado entre um quadro e o seguinte.

Muybridge também precisava de sol forte. A pista de Palo Alto tinha piso claro, e o muro refletia luz para dentro das lentes, o que permitia exposições curtíssimas sem que a imagem saísse escura demais.

Dias antes, a mesma montagem tinha sido usada com um trotador puxando uma charrete leve. Nesse caso, a roda da charrete passava sobre fios ligados a circuitos elétricos e fechava o contato que disparava cada câmera.

As fotos de Sallie Gardner eram pequenas, quase silhuetas. Dava para ver o contorno da égua e do jóquei contra o fundo, sem detalhe de pelo ou de expressão, mas o formato das pernas aparecia nítido.

E foi esse formato que surpreendeu todo mundo que estava na pista naquela manhã.

 
 

II  A História Por Trás

O galope que os pintores erraram

O instante em que a égua fica no ar existe, e a foto provou. Só que ele acontece numa posição que nenhum pintor tinha imaginado.

Sallie Gardner não estava com as pernas abertas para a frente e para trás. Estava com as quatro patas recolhidas debaixo da barriga, juntas, no meio da passada, como quem encolhe as pernas para pular uma poça.

O voo acontece logo depois que a última pata da frente deixa o chão e antes que a primeira de trás volte a tocar a terra. As pernas cruzam por baixo do corpo, e por uma fração de segundo nada encosta no solo.

A pose esticada dos quadros, chamada pelos historiadores da arte de "galope voador", aparece em telas famosas como O Derby de Epsom, que o pintor francês Théodore Géricault terminou em 1821. Ali os cavalos parecem planar sobre a pista, com as pernas abertas como asas.

Essa posição nunca acontece num cavalo vivo. Quando as pernas estão estendidas daquele jeito, pelo menos uma das patas está apoiada no chão.

As fotos de Palo Alto circularam rápido. Em 19 de outubro de 1878, a revista americana Scientific American publicou na capa desenhos feitos a partir das imagens de Muybridge, com a sequência completa do galope e do trote.

Muita gente não acreditou. Alguns leitores acharam as posições feias e desajeitadas, e houve quem dissesse que as fotos estavam erradas, justamente porque não batiam com o que os quadros tinham ensinado a ver.

Artistas mudaram de ideia aos poucos. O pintor francês Ernest Meissonier, famoso pelos cavalos que pintava, recebeu Muybridge em Paris em 1881 e passou a corrigir suas telas de acordo com as fotos.

A foto de 1878 desmentiu de uma só vez séculos de pintura: o cavalo voa, mas encolhido, e nunca com as pernas abertas que os mestres desenhavam.

Existe uma história muito repetida de que Stanford tinha apostado 25 mil dólares que o cavalo saía do chão. Nenhum documento da época confirma a aposta, e os historiadores que estudaram a vida dele tratam o caso como lenda.

O que os registros mostram é mais simples: Stanford queria treinar cavalos melhores, e a foto respondeu a uma pergunta prática de criador.

A parceria terminou mal. Em 1882, Stanford bancou o livro The Horse in Motion (O Cavalo em Movimento), assinado pelo médico J. D. B. Stillman, que mal citava Muybridge. O fotógrafo processou o editor e perdeu.

 

Quem banca a edição de hoje

NVIDIA's Founder Says Farmers Should Absolutely Use AI

“If I were a farmer, I would absolutely use AI.” 

That’s Jensen Huang, founder and CEO of NVIDIA. 

And he's pointing to one of AI’s biggest untapped opportunities: Farming. It’s an industry facing mounting pressure to produce more with less and it’s still massively under-automated. 

DIT AgTech brings AI, nutrition automation, and real-time data to livestock production, helping ranchers boost productivity and get more from every animal. 

And it’s already proven in one of the world's toughest livestock environments: 

  • 500+ units deployed 

  • 370,000 head of livestock on the platform 

  • Up to 55% higher daily weight gain 

Now expanding into the U.S. and Brazil, DIT AgTech is targeting a 300M+ head cattle market. And the biggest barrier to adoption? Gone. Ranchers get the technology for free when they sign up for a three-year nutrition plan. 

DIT AgTech can scale adoption faster, which means more data and more recurring revenue. 

Invest before this early-stage opportunity gets harder to access.

𝘐𝘯 𝘮𝘢𝘬𝘪𝘯𝘨 𝘢𝘯 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘮𝘦𝘯𝘵 𝘥𝘦𝘤𝘪𝘴𝘪𝘰𝘯, 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘰𝘳𝘴 𝘮𝘶𝘴𝘵 𝘳𝘦𝘭𝘺 𝘰𝘯 𝘵𝘩𝘦𝘪𝘳 𝘰𝘸𝘯 𝘦𝘹𝘢𝘮𝘪𝘯𝘢𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘪𝘴𝘴𝘶𝘦𝘳 𝘢𝘯𝘥 𝘵𝘩𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘮𝘴 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘪𝘯𝘤𝘭𝘶𝘥𝘪𝘯𝘨 𝘵𝘩𝘦 𝘮𝘦𝘳𝘪𝘵𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘳𝘪𝘴𝘬𝘴 𝘪𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘦𝘥. 𝘋𝘐𝘛 𝘈𝘨𝘛𝘦𝘤𝘩 𝘩𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘦𝘥 𝘢 𝘍𝘰𝘳𝘮 𝘊 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘵𝘩𝘦 𝘚𝘦𝘤𝘶𝘳𝘪𝘵𝘪𝘦𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘌𝘹𝘤𝘩𝘢𝘯𝘨𝘦 𝘊𝘰𝘮𝘮𝘪𝘴𝘴𝘪𝘰𝘯 𝘪𝘯 𝘤𝘰𝘯𝘯𝘦𝘤𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘪𝘵𝘴 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘢 𝘤𝘰𝘱𝘺 𝘰𝘧 𝘸𝘩𝘪𝘤𝘩 𝘮𝘢𝘺 𝘣𝘦 𝘰𝘣𝘵𝘢𝘪𝘯𝘦𝘥 𝘩𝘦𝘳𝘦: https://bit.ly/4bzuWCi​  ​

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Pra Contar na Mesa

Da pista ao cinema

As 12 fotos de Sallie Gardner têm um detalhe que muda tudo: postas em sequência e passadas rápido, elas reconstroem o movimento.

Muybridge percebeu o efeito e, em 1879, criou o zoopraxiscópio, um aparelho que projetava numa tela imagens pintadas num disco de vidro giratório. As figuras eram copiadas das fotos, e o cavalo parecia galopar diante da plateia.

Ele saiu em turnê pelos Estados Unidos e pela Europa mostrando o aparelho. Em Paris, as sessões atraíram cientistas e pintores, interessados em ver o que o olho sozinho nunca tinha conseguido separar.

Depois da briga com Stanford, Muybridge encontrou outro patrocinador. A Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, financiou um projeto bem maior, e em 1887 saiu a coleção Animal Locomotion (Locomoção Animal), com 781 pranchas.

Ali havia de tudo: cavalos, cães, gatos, camelos, aves em voo, e também pessoas andando, correndo, subindo escada, carregando peso. Até hoje animadores e desenhistas usam essas pranchas como referência de movimento.

Em 1888, Muybridge visitou Thomas Edison, em Nova Jersey, e os dois conversaram sobre juntar as imagens em movimento com o fonógrafo, a máquina de gravar som que Edison tinha inventado. Poucos anos depois, o laboratório de Edison lançou o cinetoscópio, uma caixa para assistir a filmes curtos.

Muybridge voltou para a Inglaterra e viveu os últimos anos em Kingston upon Thames, a cidade onde nasceu. Ficou por lá até o fim da vida, em 1904, aos 74 anos.

Sobre Sallie Gardner, os registros dizem pouco. Ela pertencia à criação de Stanford, mas não há documento conhecido sobre o resto da carreira dela nem sobre a data em que deixou a fazenda; o nome sobreviveu só por causa das fotos.

A fazenda de Palo Alto também ganhou outro destino. Em 1891, Stanford abriu no terreno a Universidade Stanford, criada em memória do filho, Leland Stanford Junior, e hoje uma das mais conhecidas do mundo.

Para contar a história numa roda de conversa, três passos bastam:

1. Comece pela pergunta: em 1878, ninguém sabia se um cavalo a galope tirava as quatro patas do chão.

2. Conte o truque: Eadweard Muybridge enfileirou 12 câmeras numa pista em Palo Alto, e a égua Sallie Gardner disparou cada uma ao romper fios esticados no caminho.

3. Termine na surpresa: ela voava, sim, mas com as pernas encolhidas sob a barriga, e as fotos em sequência viraram um dos primeiros passos do cinema.

"Se você pudesse fotografar em câmera lenta um único movimento do seu dia, qual escolheria?"

Amanhã: o relógio de Praga que marca a hora há mais de 600 anos.

 
 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} recorde
{{streak_recorde | 0}}

{{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}}

{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

sua patente

{{rank_simbolo | ◆}} {{rank_nome | Aprendiz}}

 

faltam {{xp_falta | 5}} de ouro pra {{rank_prox | próxima patente}}

{{edicoes_lidas | 1}}
edições
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
{{moedas | 0}} de ouro na carteira 🏪 loja e missões no hub
{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
 
Lembrado na Promoção: oito situações, uma por dia: A primeira reunião do dia, A reunião em que você não tem nada, A sala com a chefia da chefia, A reunião de crise, O comentário por escrito, A ideia repetida por outro, A conversa de avaliação, A reunião que decide salário. Começar pelo dia 1.

Começar pelo dia 1 →

 
Quiz da edição

Na foto que flagrou Sallie Gardner no ar, em que posição estavam as quatro patas da égua?

AEsticadas para frente e para trás, como os pintores desenhavam
BRecolhidas juntas debaixo da barriga
CAbertas como asas, com uma pata ainda tocando o chão
DUma na frente e três atrás, em diagonal

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🔑🔑🔑🔑🔑  ótima 🔑🔑🔑🔑  boa 🔑🔑🔑  ok 🔑🔑  ruim 🔑  péssima
 
Escolha a edição de terça

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A mais votada sai na terça, 06/10.

Voto aberto até 04/10, 15h30

A Dia Perdido da Victoria →
B Comitê de Nomes da Islândia →
C Nota de 100 Trilhões →
D Kongo Gumi →
 
 

Quem banca a edição de hoje

The AI newsletter curated by engineers who build it

TLDR AI is a free daily email curated by Anthropic and ex-Google engineers: the new tools worth trying and the research worth understanding, summarized for 1.1M+ readers.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
Recomendação de Newsletter
A Origem das Palavras

A Origem das Palavras

Todo dia, 12:12. Uma palavra que você usa sem pensar revela séculos de história escondida, em dois minutos de leitura.

Quero receber →

 
Indique e destrave

Indique essa newsletter para um amigo

Cada leitor confirmado pelo seu link sobe um degrau da escada de prêmios.

  
você1

{{indicacoes_confirmadas | 0}} confirmadas · faltam {{indicacoes_falta | 1}} pra próxima recompensa

● 1
Pack de wallpapers
Pack de wallpapers
■ 3
Edição de Colecionador do mês
Edição de Colecionador do mês
▲ 5
ebook Lembrado na Promoção
ebook Lembrado na Promoção

Pegar meu link de indicação →

 
 
 

Amanhã tem outra.

Curiosidade do Dia

CURIOSIDADE DO DIA

Uma curiosidade por dia

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter