|
A gota de nuvem tem cerca de dois centésimos de milímetro de diâmetro. Um fio de cabelo humano é três vezes mais grosso que ela.
Nesse tamanho, a briga entre peso e resistência do ar muda de dono. O peso cresce com o cubo do raio, e o atrito com o ar cresce apenas com o quadrado.
Corte o raio pela metade e a gota fica oito vezes mais leve, enquanto a superfície que enfrenta o ar cai só quatro. Quanto menor a gota, mais o ar manda nela.
O resultado é uma velocidade de queda ridícula. Uma gota de nuvem desce a mais ou menos um centímetro por segundo. Para vencer o quilômetro que separa a base da nuvem do chão, ela levaria mais de vinte e quatro horas de queda ininterrupta.
Só que ela não cai em ar parado. Debaixo do cúmulo existe uma corrente de ar quente subindo, a mesma que criou a nuvem, e que sobe a um ou dois metros por segundo.
|
A nuvem não desafia a gravidade. Cada gota está caindo o tempo inteiro, a um centímetro por segundo, dentro de uma coluna de ar que sobe cem vezes mais rápido do que ela desce.
|
Nenhuma dessas gotas apareceu do nada. Água pura, num ar realmente limpo, resiste a condensar mesmo com umidade acima do limite. Cada gota precisa de uma partícula sólida no centro para começar.
Quem provou o ponto foi o escocês John Aitken, na década de 1880, filtrando a poeira de uma câmara fechada e vendo a névoa se recusar a formar. No céu de verdade o núcleo é sal marinho, poeira do solo, fuligem ou grão de pólen.
Toda gota que embaça a sua janela tem, no meio dela, um caco microscópico de mundo.
A condensação sozinha faz a gota crescer até uns dois centésimos de milímetro e depois trava. Quanto maior a gota, maior a superfície que o mesmo vapor precisa cobrir, e o crescimento fica cada vez mais lento.
A partir daí a gota só engorda batendo em outra. As maiores caem um pouco mais rápido, alcançam as menores pelo caminho, colidem e se fundem. É um efeito bola de neve, e ele exige nuvem alta e tempo.
A distância entre gota de nuvem e pingo de chuva é maior do que parece. Um pingo de dois milímetros carrega a água de cerca de um milhão de gotas de nuvem.
Nas nuvens mais altas existe um atalho. O topo fica abaixo de zero grau, com cristais de gelo dividindo espaço com gotas que continuam líquidas mesmo assim. O gelo rouba o vapor das gotas vizinhas, cresce depressa e desaba.
O mecanismo leva o nome de Tor Bergeron, que o descreveu em 1935, e de Walter Findeisen, que o completou em 1938. Boa parte da chuva que molha a sua cabeça começou como floco de neve e derreteu no caminho.
Quando a gota chega a um milímetro, a conta se inverte. Ela passa a cair a quatro metros por segundo, e nenhuma corrente de cúmulo de bom tempo segura. Ross Gunn e Gilbert Kinzer mediram essas velocidades numa torre em 1949.
|