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Em novembro de 1913, o antiquário florentino Alfredo Geri publicou anúncios em jornais procurando obras de arte para comprar. Recebeu uma carta de Paris, assinada por um certo Leonardo, oferecendo a Mona Lisa.
Geri achou que era piada, mas respondeu. Em dezembro, o remetente viajou de trem até Florença e se hospedou no Hotel Tripoli-Italia, perto do centro. Era Peruggia, com o quadro escondido no baú, debaixo de roupas e ferramentas.
A prova no verso
Geri foi ao hotel acompanhado de Giovanni Poggi, diretor da Galeria degli Uffizi (o grande museu de arte de Florença). Peruggia abriu o baú e entregou o painel embrulhado em pano vermelho.
Poggi virou a tábua e conferiu o verso: lá estavam o carimbo do Louvre e os números de inventário do museu. Combinou com Peruggia levar a obra aos Uffizi para comparar com fotografias e disse que voltaria com o pagamento. Voltou com a polícia, e o vidraceiro foi preso no hotel em 11 de dezembro de 1913.
A Itália exibiu o retrato nos Uffizi, depois em Roma e em Milão, com filas de milhares de pessoas. Em 4 de janeiro de 1914, a Mona Lisa voltou ao Louvre, em vagão especial de trem, e reocupou a parede do Salon Carré.
O julgamento e a fama
Peruggia foi julgado em Florença em junho de 1914. O tribunal aceitou parte do argumento patriótico, e a imprensa italiana o tratou com simpatia. Ele recebeu pena de um ano e 15 dias, reduzida depois para sete meses, e saiu da cadeia pouco tempo depois do julgamento.
Em 1932, o jornalista americano Karl Decker publicou no jornal Saturday Evening Post a versão de um suposto mandante, o argentino Eduardo de Valfierno, que teria encomendado o furto para vender cópias falsas a colecionadores. Nenhum documento da época confirma a existência desse homem, e os historiadores tratam o relato como invenção não comprovada.
O quadro voltou com uma fama que nunca tinha tido antes do furto. O hotel de Florença mudou de nome e passou a se chamar Hotel La Gioconda, como os italianos chamam o retrato, por causa do sobrenome do marido da modelo, Lisa Gherardini, casada com o comerciante Francesco del Giocondo.
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O furto transformou um retrato admirado por especialistas na pintura mais visitada do mundo.
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Se for contar a alguém, três passos:
1. Comece pela parede: em 1911, Paris fez fila no Louvre para ver quatro ganchos vazios.
2. Mostre o disfarce: Vincenzo Peruggia, o vidraceiro da vitrine, saiu de avental branco.
3. Termine em Florença: o carimbo do Louvre no verso entregou o quadro em 1913.
Hoje a Mona Lisa fica atrás de um vidro à prova de balas, numa sala própria do Louvre, e a parede do Salon Carré guarda outras pinturas.
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