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A Marcha Real nasceu como toque militar. A partitura aparece em 1761, num livro de ordenanças da infantaria espanhola, com o nome de Marcha Granadera.
O livro reunia os sinais que tambores e pífaros usavam no quartel e no campo de batalha. A peça servia para honras, desfiles e saudações, sem nenhuma intenção de virar símbolo de um país.
O autor é atribuído a Manuel de Espinosa, músico da corte. A melodia era curta, solene e fácil de tocar em instrumentos de sopro, o que ajudou a espalhá-la pelos regimentos.
Em 1770, o rei Carlos III declarou a marcha como peça oficial de honra. Ela passou a tocar nas aparições públicas do monarca e da família real, e daí veio o nome que ficou: Marcha Real.
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A Espanha canta o hino com a boca fechada desde o século 18, porque a música entrou na vida pública antes de qualquer verso.
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No século 19, a marcha já funcionava como hino nacional na prática. Tocava em cerimônias de Estado, em atos militares e na chegada de navios estrangeiros aos portos.
A versão que se ouve hoje é um arranjo do compositor Bartolomé Pérez Casas, feito no começo do século 20. Foi esse arranjo que um decreto real de 1997 fixou como forma oficial do hino.
O mesmo decreto definiu duas durações. A versão completa passa um pouco dos 50 segundos, e a versão curta, usada em pódios e jogos, fica perto dos 27.
O Estado espanhol também comprou dos herdeiros de Pérez Casas os direitos do arranjo. Desde então, o hino pertence ao poder público e pode ser tocado por qualquer banda sem cobrança de direitos.
Letras, houve várias. Nenhuma, porém, ganhou status de lei.
Em 1927, o poeta Eduardo Marquina escreveu versos a pedido do rei Afonso XIII. A letra circulou, apareceu em discos e em escolas, mas nunca foi aprovada como oficial.
Durante o regime de Francisco Franco, entre 1939 e 1975, a versão mais cantada foi a do escritor José María Pemán. Ela também ficou fora da lei, embora fosse ensinada nas escolas e entoada em atos do regime.
A ligação com a ditadura marcou a letra de Pemán. Depois da redemocratização, cantar aqueles versos virou gesto político, e a maioria dos espanhóis preferiu ficar com a melodia sozinha.
A Constituição de 1978, que refundou a democracia espanhola, cita a bandeira no texto e deixa o hino de fora. A escolha de não escrever versos virou, aos poucos, uma decisão de Estado.
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