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A Rabbit Proof Fence Number 2 ficou pronta em 1908, com 1.166 quilômetros. A Number 3, também de 1908, tinha 257. Somadas à primeira, as três formavam um sistema de 3.256 quilômetros de arame no oeste australiano.
Nenhuma delas deteve os coelhos de vez. Veneno, armadilhas e caçadores pagos por coelho abatido seguiram em uso por décadas, com resultado local e passageiro. A praga só recuou de forma ampla a partir de 1950, quando o governo australiano soltou o vírus da mixomatose (doença viral que ataca só coelhos), trazido da América do Sul. O vírus matou a maior parte da população nos primeiros anos, até os sobreviventes ganharem resistência.
A guerra contra os emus
A cerca acabou servindo para outro bicho. Os emus, aves grandes que não voam, migram do interior para o litoral sul depois da época de reprodução, e encontravam a linha de arame no caminho.
Em 1932, bandos de emus entraram nas lavouras de trigo da região de Campion, na Austrália Ocidental, por trechos da cerca sem conserto. O governo federal mandou soldados com metralhadoras, sob o comando do major Gwynydd Purves Wynne-Aubrey Meredith. As aves se espalhavam a cada rajada, e o episódio ficou conhecido como Guerra dos Emus.
Hoje a antiga Number 1, reformada e encurtada, se chama State Barrier Fence (Cerca de Barreira do Estado). O governo da Austrália Ocidental a mantém contra emus, cães selvagens e cangurus, e não mais contra coelhos.
O caminho de volta para casa
Em 1931, três meninas aborígenes, Molly Craig, de 14 anos, a irmã Daisy Kadibil e a prima Gracie Fields, foram tiradas das famílias em Jigalong pelo governo e levadas ao internato de Moore River, perto de Perth.
Elas fugiram e caminharam cerca de 1.600 quilômetros de volta para casa. Para não se perder, seguiram os postes da cerca dos coelhos, que passava perto de Jigalong. Molly e Daisy chegaram; Gracie foi recapturada no caminho.
A filha de Molly, Doris Pilkington Garimara, contou a fuga no livro “Follow the Rabbit-Proof Fence” (Siga a Cerca à Prova de Coelhos), de 1996. Em 2002, o diretor Phillip Noyce levou a história ao cinema, lançada no Brasil como “Geração Roubada”.
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A linha erguida para segurar coelhos virou o mapa que levou duas meninas de volta para a família.
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Se for contar a alguém, três passos:
1. Comece pela medida: 1.833 quilômetros de arame, de mar a mar, terminados em 1907.
2. Mostre a corrida: os coelhos de Thomas Austin cruzaram o traçado antes do último poste.
3. Termine nas meninas: Molly e Daisy usaram a cerca como guia para voltar a Jigalong.
A cerca nunca segurou o bicho para o qual nasceu, mas guiou três meninas pelo deserto e segue de pé contra emus e cães selvagens.
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